uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Médico veterinário, criador de toiros

Médico veterinário, criador de toiros

Edição de 18.10.2006 | Entrevista
Luís Jorge Roldaen Ortigão Blanck Costa nasceu em Alcantarilha, Silves, Algarve, há 79 anos, mas há meio século que vive na vila de Azambuja.A residência do reputado ganadeiro está situada numa característica quinta que desce sobre a lezíria. Defronte à Quinta da Fonte do Pinheiro ergue-se a fábrica de transformação de tomate que na década de 50 acabou com o desemprego na Azambuja.A fábrica Sugal foi construída nos terrenos do sogro, engenheiro Moniz da Maia, figura ilustre de Azambuja e um dos grandes promotores imobiliários da época, que em 1957 aceitou o desafio de participar na sociedade da empresa.O médico veterinário, então funcionário do Direcção Geral dos Serviços veterinários, deixou Lisboa e partiu à aventura por terras do Ribatejo, de onde é originária a esposa, Maria Berta Moniz da Maia Ortigão Costa.“Começámos com 40 hectares de terra. Hoje temos 1800 hectares no Ribatejo e outros 1800 em Elvas”, descreve o empresário.É na “Herdade de Alcobaça”, naquela cidade alentejana, que pastam os toiros bravos marcados a fogo com o ferro de uma das mais reputadas marcas a nível internacional – OC - Ortigão Costa.Na vila de Azambuja está concentrada a coudelaria da família, a produção de leite, fábrica de transformação de tomate, culturas agrícolas e suinicultura.O patriarca da família de sete filhos – quatro rapazes e três raparigas - tem feito gradualmente a sucessão. Sem nunca perder de vista o rumo que os herdeiros estão a dar ao negócio. Costuma acompanhar as várias actividades e distribui pelos quatro filhos recomendações frequentes e fotocópias com artigos que retira de revistas especializadas. É difícil afastar-se dos negócios que orientou durante os últimos 50 anos.Construiu um império em anos difíceis para os empresários portugueses. O rigor e o perfeccionismo ainda se mantêm bem vivos na sua personalidade.Veste fato escuro e gravata ao estilo clássico. Relógio de bolso pendurado com cordão prateado. Pontualidade rígida. É um observador treinado. Não lhe escapa nem o pormenor do desnivelamento dos quadros pendurados na sala de convívio entre a coudelaria e o picadeiro, que os netos enchem sempre que se celebra um aniversário em família, em Azambuja. Luís Ortigão Costa faz questão de corrigir o posicionamento de alguns dos diplomas emoldurados onde se multiplicam os prémios da Feira Nacional da Agricultura. Um dorso de cavalo preto, ex-libris da coudelaria, também é arrastado pelo patriarca para o lugar que considera conveniente.Mas a disciplina exasperada é temperada com bom humor e cavalheirismo. Sorri com os mais de 50 anos de casamento, conta uma anedota entre duas perguntas e orgulha-se com satisfação dos 17 netos. Diz quem o conhece que dá a mão a quem precisa. Recusa qualquer rótulo político. A sua ideologia é a igreja católica. Ortigão Costa, com origem espanhola e alemã por via das avós materna e paterna, descreve-se à boa maneira dos ganadeiros. “Sou um híbrido”, confessa entre duas gargalhadas.
Médico veterinário, criador de toiros

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...