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O algarvio que se apaixonou por uma ribatejana

O algarvio que se apaixonou por uma ribatejana

Edição de 18.10.2006 | Entrevista
É natural de Alcantarilha, Silves, Algarve. Como veio parar ao Ribatejo?O meu sogro [Moniz da Maia] era aqui da Azambuja. Casei e no fim de três anos convidou-me para fazer uma sociedade agrícola. Cá fiquei a trabalhar. Deixou cedo o Algarve?Nasci lá, fiz lá a instrução primária e depois vim para Lisboa para o liceu e para a faculdade. Naquele tempo no Algarve só havia liceu até ao terceiro ano em Portimão. Tinha que me desloclar. A minha mãe tinha casa em Lisboa e era mais fácil transferir-me para Lisboa do que andar entre Alcantarilha e Portimão. A minha mãe era de Alcantarilha. Tínhamos casa em Lisboa e íamos a Alcantarilha todas as férias.Veio para Lisboa sozinho?Vim com a minha mãe. O meu pai morreu tinha eu três anos. A minha mãe tinha algumas possibilidades. Criou-me a mim e à minha irmã, que é formada em histórico-filosóficas. Já tinha uma apetência para esta área?Sim, a minha mãe tinha propriedades agrícolas. Vivi perto da agricultura desde pequeno.Com que idade começou a ir para o campo? Desde os meus 10 anos. Assistia ao peso da alfarroba quando se vendia… e do figo e da amêndoa que são a base da agricultura do Algarve. Tínhamos também cereais e azeitona. Ia aos mercados comprar as vacas para as lavouras…O que foi fazer quando acabou o curso?Fui trabalhar na Direcção Geral dos Serviços Pecuários, em Lisboa. Até o meu sogro me convidar para a sociedade. Como conheceu a sua esposa, filha do engenheiro Moniz da Maia?(risos) A minha mãe tinha duas primas, irmãs entre si, casadas com dois irmãos da minha sogra. Foi assim que às tantas nos conhecemos.Os encontros eram em Lisboa?Em Lisboa. Era lá que vivia parte da família. Geria muitas áreas de negócio. Como arranjava tempo para a família?Conseguia, às vezes com dificuldade. A minha mulher dava-se muito mal com o calor do Algarve. Resolvi comprar uma casa no Baleal. Naquele tempo levava-se cinco horas para o Algarve. Era impossível. E trabalhava-se ao sábado. Com casa no Baleal estávamos a uma hora da praia. Chegava ao Baleal à hora do jantar e no domingo depois do jantar vinha-me embora. Até havia nesse tempo um programa de toiros da Emissora Nacional “Sol e Toiros”. Começava exactamente às onze horas e acabava à meia-noite. Era o tempo que levava do Baleal à Azambuja. Ligava a telefonia e vinha ouvindo. Não tirava férias?Não tinha grandes possibilidades. Em Agosto fazia o 14 e o 15 de Agosto de férias. Eram os únicos dias que tinha. Só nos últimos anos tenho tirado.Sente-se mais ribatejano ou algarvio?Sinto-me mais algarvio. Vou lá nas férias e em alguns fins-de-semana. Gosto muito da minha terra e de confraternizar com os rapazes – infelizmente já morreram muitos… – que andaram comigo na instrução primária. Gosta de viver em Azambuja?Sim. Vou à vila e quando há necessidade de comprar qualquer coisa vou ao supermercado. Mas evito porque estou com alguma falta de memória. E algumas pessoas abordam-me e não me recordo dos nomes. Isso aborrece-me. Maça-me não saber o nome da pessoa. Não gosto de diálogos impessoais sem saber com quem estou a falar.Como tem acompanhado o desenvolvimento de Azambuja?Tem todos as vantagens e inconvenientes de ser um dormitório de Lisboa. As pessoas que trabalham em Lisboa acabam por fazer as compras lá e isso prejudica o mercado local. A rua principal tem uma nova dimensão e está bem qualificada….Recusou uma vez uma homenagem do Presidente da República?Isto que disse não lhe chega? (sorrisos) Recusei, sim senhor. Era a atribuição da medalha de comendador de mérito agrícola. Mas depois tive que aceitar. Voltaram a convidar-me e não pude dizer que não. Foi com o General Ramalho Eanes. Por não gostar de protagonismo?Não pertenci a este regime. Não tenho que ser condecorado por ninguém…
O algarvio que se apaixonou por uma ribatejana

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