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“Os toiros deviam morrer nas praças”

“Os toiros deviam morrer nas praças”

Luís Ortigão Costa, ganadeiro e médico veterinário, apaixonado da festa brava

Luís Ortigão Costa, reputado ganadeiro, médico veterinário e empresário residente em Azambuja defende a morte dos toiros na arena. O criador acredita que o sofrimento é menor na corrida à espanhola. “No ardor da luta toda a sensibilidade fica embotada”, diz quem cria toiros de lide há mais de 50 anos.

Edição de 18.10.2006 | Entrevista
A ganadaria que criou há 50 anos tem prestígio internacional. Costumava acompanhar as corridas em que participavam os seus toiros?Fiz sempre questão de ir, mas nem sempre fui (risos). Em Barcelona era ir e vir quase no mesmo dia. Gostava de acompanhar as corridas para saber orientar a ganadaria e observar o comportamento do toiro. Para tentar melhorar…Ver quais as características que este ou aquele toiro estão a ter... A criação de toiros é muito complexa…Para mim é dos animais mais complexos de criar.Porquê?É um animal que não se pode ver de perto. É difícil de observar. As fêmeas apreciam-se conforme a tenta, mas os toiros só se podem apreciar aos quatro anos quando vão para as corridas. Fica-se quatro anos com os olhos um bocado fechados. Um bom toiro e uma boa vaca podem dar um filho que não presta. E no ano seguinte dar um filho muito bom. São todos diferentes. Os resultados de uma cobrição levam muito tempo a ver-se. É uma genética muito complicada. Mesmo juntando todos os elementos o toiro pode não sair como nós queremos. Ou sai manso ou sai bravo.Como faz esse apuramento?Fazem-se registos nos livros das ganadarias. Vão-se eliminando os que não prestam.O que são bons toiros?Toiros que investem bem e que são bons. Que aguentam a corrida, que não caem, que transmitem a sua força. O toiro que não investe, que não corre, não transmite nada. E a corrida de toiros é um espectáculo de emoção. O espectáculo em Portugal está a perder força?O toureio a cavalo está em boa forma. O que não percebo é porque não se faz como em Espanha. Com a morte do toiro. À espanhola. Só vai ver quem quer. Também nunca vi um espectáculo de boxe...É defensor dos toiros de morte…Não faz sentido que aqui não exista. Em França, Espanha e na América Latina isso acontece. É muito mais cruel para um toiro ser corrido a uma quinta-feira, por exemplo, levar os ferros e ficar a sofrer com febres até ao dia de ir para o matadouro, geralmente à segunda-feira, com as feridas já infectadas. E há outra coisa. Tanto o toiro como o homem quando está em luta leva uma pancada e quase que nem sente. No ardor da luta toda a sua sensibilidade fica muito embotada. Não sofre aquilo que se pensa e que se diz. Sofre sim se ficar ali a noite toda à espera de ir para o matadouro.Os toiros estão na sua herdade de Elvas. Não sente falta dessa proximidade?Vou muitas vezes lá. Ainda esta semana lá estive. Vejo se estão a desenvolver-se bem. Se estão bonitos. Geralmente vou acompanhado pelo meu filho. Sabe, hoje em dia tanto os toiros como os cavalos são pouco rentáveis. Temos a sorte de vender a maioria dos toiros para Espanha. Se vendêssemos só para cá era para perder muito dinheiro.O que pensa da festa que se tem feito na Azambuja?A praça não tem grandes condições, mas é preciso é que os toureiros sejam bons. É preciso é que a praça tenha capacidade suficiente para poder ter pessoas que possam pagar o espectáculo. Se tiver 50 pessoas o espectáculo tem que ser modesto. Mas se tiver cinco mil já é diferente. Há mais capacidade para contratar toiros de melhores ganadarias e bons toureiros. A praça de toiros de Elvas tem 6 mil pessoas. Em Azambuja a praça é pequena e as pessoas às vezes não vêm. Não podem ter cartéis muito caros. No entanto a câmara municipal tem feito um trabalho óptimo para fomentar a festa brava.Como vê as mulheres na praça?Vejo-as como qualquer outro toureiro. Desde que saibam tourear… Agora se tiverem medo é melhor ficarem em casa a coser meias. As mulheres têm mais medo?Algumas. Há homens que também têm muito medo. Há mulheres que trabalham muito e impõem-se na profissão. Gosta de as ver actuar?Tenho gostado muito. Olhe, a Sónia Matias, por exemplo. É uma mulher que sabe tourear, é alegre, anima o público…Costumava montar a cavalo?Montei muito a cavalo. E até sou oficial de cavalaria. Fiz a tropa em cavalaria. Alferes de cavalaria dos serviços veterinários. Andei muito a cavalo, mas com a idade fui deixando.Teve algum percalço com toiros?Nunca toureei a cavalo. Mas ia a cavalo ver os toiros, agora não. Agora vou de automóvel. Ana Santiago
“Os toiros deviam morrer nas praças”

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