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Viver sozinho não é nenhum drama

Edição de 18.10.2006 | O Mirante dos Leitores
Ainda bem que na vossa reportagem sobre as pessoas que vivem sozinhas não se esqueceram das que o fazem por opção. Vivo sozinho há cinco anos. Melhor, vivo sozinho desde que nasci. Vou viver sozinho até ao fim da minha vida. Pode parecer extraordinário o que estou a dizer mas para mim é muito simples. Mesmo quando estou acompanhado e bem acompanhado estou completamente só porque não consigo partilhar com os outros tudo aquilo que me ocorre em pensamento. Não sei o que se passa com as outras pessoas mas penso que seja parecido com o que sinto. Há milhares de ideias a cruzarem-me o cérebro. Mesmo com muita boa vontade era impossível explicá-las todas aos meus interlocutores. Às vezes nem eu próprio sou capaz de as compreender muito bem. É por isso que os seres humanos são fascinentes e complexos.Mas voltemos ao real. Ao concreto. Vivo sozinho por opção mas isso não significa que esteja sempre sozinho. Tem horas, tem dias. Tenho alguns amigos e alguns conhecidos com quem me relaciono. Vou jantar fora, vou ao cinema e a um ou outro concerto. De vez em quando recebo alguém e gosto de cozinhar para as visitas. Adoro conversar. Já vivi acompanhado mas nem sempre as coisas corriam bem. Partilhar o mesmo espaço com outra (s) pessoas é agradável mas pode ser uma tortura quando isso acontece todos os dias. Instala-se a rotina. A incompreensão. Penso que o actor Raul Solnado e a esposa sempre viveram em casas separadas. Cada um na sua. E foram felizes. Cada um sabe de si. Mas não vale a pena dramatizar. Viver só não é sinónimo de solidão.Paulo Silva Palácios

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