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Novos caminhos para o Vale do Tejo

Edição de 18.10.2006 | Opinião
O grande mal da nossa Região é o de nunca se ter conseguido conceber e implementar uma estratégia de desenvolvimento sustentado. Por incapacidade política e porque nunca existiu a concertação de acções entre os agentes económicos e sociais, necessária para concretizar essa estratégia e para garantirmos um bem estar acrescido aos cerca de meio milhão de habitantes que aqui vivem.Para ganharmos peso e influência em Lisboa, que hoje não temos, a região do Vale do Tejo precisa assim, urgentemente, de um quadro de referência estratégico que potencie o seu desenvolvimento. Que tenha como pólo Santarém – Capital de Distrito. Os Municípios do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo precisam de valorizar as suas especificidades mas, simultaneamente, de cooperar entre si, aproveitando as vantagens comparativas de um espaço geográfico que goza de uma centralidade única no País e de factores de competitividade, também, excepcionais (boas acessibilidades, plano hidrológico e ambiental muito equilibrado e dinâmica empresarial e social).Estou convicto que a massa crítica existente na nossa Região vai abraçar este desafio conjunto. Com a condicionante fundamental de que os habitantes da região só conseguirão valorizar a sua identidade, no País e na Europa, com dimensão; com peso qualitativo, que assuma como eixo o aproveitamento dos recursos naturais de que dispomos.Sou defensor de um modelo de desenvolvimento da região que crie duas redes, complementares, de serviços. Uma primeira rede de desenvolvimento que agregue, com as especificidades e características distintas da Lezíria e do Médio Tejo, os Municípios do Vale do Tejo. E uma segunda rede de desenvolvimento que se baseie, de forma mais abrangente, no fortalecimento das relações do Médio Tejo com o Centro Interior do País e da Lezíria do Tejo com o Oeste, Grande Área de Lisboa e com o Alentejo superior. Estes vectores de ligação poderão ser mais ou menos acentuados.A centralidade da Região permite, através da valorização dos nossos recursos e da afirmação da nossa identidade, a criação destas duas redes complementares de serviços. Estou também convicto que, num futuro a médio prazo, o funcionamento e aproveitamento destas redes permitirá aumentar a competitividade do Vale do Tejo e dos seus Municípios, distinguindo-o no seio de uma Grande Região Maior que agrega todo o espaço geográfico acima referido. Apontarei aqui apenas, no meu entendimento, dois vectores de força deste quadro de referência estratégico:Uma aposta clara na consolidação de uma economia de serviços, com especial ênfase para a área do turismo, potenciando também os sectores primário e terciário (sectores estes onde possuímos vantagens comparativas notáveis e de fácil exploração); Aproveitando a dinâmica empresarial da região, apostar afincadamente na consolidação dos parques de negócio e localização empresarial na região, privilegiando, especificamente, três tipos de actividades: a agro-indústria, a indústria de produtos complementares aos sectores de maior valor acrescentado (componente tecnológica elevada) e agarrar o grande desafio das indústrias de ponta, reforçando a inovação e o conhecimento, como questões básicas de produtividade acrescida.Conjuntamente com a conclusão de um conjunto de equipamentos sociais fundamentais para o bem estar das populações (nas áreas de educação e acção social, da saúde, segurança e dos transportes e comunicações), é minha convicção, de que estaríamos no caminho certo para distinguir o eixo de grande qualidade de vida que pode representar todo o Vale do Tejo. É também meu entendimento que precisamos, para concretizar este projecto ambicioso, por um lado, de ter a consciência de que o mesmo se desenvolverá provavelmente de forma faseada (reforçando uma primeira agregação, depois uma segunda maior e então, a consolidação global das duas redes) e, por outro lado, mas mais importante ainda, de que todos os agentes políticos, económicos e sociais da região tenham a humildade necessária para debater e agir no Vale do Tejo de forma integrada e valorizadora das nossas complementaridades. Sem protagonismos e sem protagonistas. É este o nosso grande desafio conjunto. O novo caminho do Vale do Tejo!Paulo CaldasPresidente da Câmara Municipal do Cartaxo

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