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Acabar com as “baldas” ao serviço

Acabar com as “baldas” ao serviço

Presidente da Câmara do Entroncamento faz despacho interno polémico

A Câmara do Entroncamento está a obrigar os seus funcionários que faltarem ao serviço a justificarem a falta no prazo de três horas, sob pena de sofrerem processos disciplinares. Uma forma drástica de acabar com o abstencionismo na autarquia.

Edição de 18.10.2006 | Sociedade
O executivo da Câmara do Entroncamento encetou esta semana uma cruzada contra o abstencionismo dos seus funcionários. O presidente Jaime Ramos (PSD) está farto das “baldas” dos seus funcionários e decidiu acabar com os abusos.O primeiro passo foi elaborar um despacho interno onde avisa que, quem ficar doente, tem de avisar os serviços no prazo máximo de três horas, sob pena de vir a ser alvo de processo disciplinar.“Assumo abertamente que fiz isto para as pessoas passarem a cumprir”, referiu a O MIRANTE Jaime Ramos, insurgindo-se contra a posição tomada pelo PS que o acusa de usar os funcionários como bodes expiatórios de uma gestão camarária ineficiente. Dizem ainda os vereadores da oposição socialista que alguns dos funcionários têm problemas do foro psiquiátrico, uma doença cada vez mais na moda. “Eu não sou de modas”, contrapõe o presidente do município, adiantando não tolerar que os funcionários façam o que bem lhes apetece, “escudados” por baixas passadas quase sempre pelos mesmos médicos. “Eu também fui trabalhador por conta de outrem e quando ficava doente tinha o cuidado de avisar de imediato o serviço. Só peço que façam o mesmo e deixem de apresentar o papel da baixa só cinco ou seis dias depois”,afirma o presidente, garantindo que os serviços irão verificar se os trabalhadores doentes ficarem em casa.O PS, maior partido da oposição, diz estar “solidário” com os funcionários. E que o presidente não está a agir de acordo com a legislação em vigor, baseando a sua decisão num Decreto-Lei já revogado (lei 497/98). Jaime Ramos contrapõe afirmando-se “solidário com os que trabalham” e que têm sido sucessivamente penalizados pelas “doenças” dos colegas. “Não digo que não existam na câmara trabalhadores com doenças, o que não pode existir são doenças fictícias para justificar um, dois ou três dias sem trabalhar. É que há doenças que só se manifestam às sextas e segundas-feiras”, diz ironicamente.A O MIRANTE Jaime Ramos confessa sentir-se “incomodado” com o absentismo que tem no município mas escusa-se a divulgar percentagens e quais os serviços com mais “faltosos”, antes de terminar o trabalho de levantamento de todas as situações existentes desde 2002. “Há muitas pessoas que não trabalham, que faltam, que se baldam”.Um levantamento que abrange não só os funcionários pseudo-doentes como também quem lhes passa as baixas, sejam de um dia ou dois, sejam de vários meses. “Há pessoas que estão 18 meses de baixa, vêm trabalhar um mês e voltam a ter 18 meses de baixa”, exemplifica, adiantando que essas baixas são quase todas passadas sempre pelos mesmos médicos.Relativamente a esta situação o autarca garante que quando finalizar o relatório o enviará à Sub-Região de Saúde de Santarém da ARS. “O que eles vão fazer com o levantamento, se vão agir ou não junto dos médicos não é comigo. Mas é meu dever dar-lhes a conhecer a situação”.
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