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Ganhar dinheiro a vender cafés à família

Edição de 18.10.2006 | Sociedade
Quando era miúdo, não teria ainda 10 anos, Valter Madureira “vendia” cafés aos pais e avós, após as refeições familiares. A 25 escudos cada. A verba ia direitinha para o mealheiro e, juntamente com as prendas monetárias que recebia pelos aniversários e em cada Natal, deu-lhe a possibilidade de, aos 16 anos, comprar a pronto pagamento o seu primeiro computador. O pai costuma dizer-lhe que qualquer dia “fica rico”. Valter acha que nunca o vai ser. Mesmo tendo dois empregos para ajudar nas despesas dos estudos. Mesmo contando os tostões e não esbanjando dinheiro em coisas supérfulas. O seu único vício é o tabaco e um café de vez em quando, “o mínimo possível”. Comprar roupa só mesmo na última, quando a que tem está prestes a dar o berro.Os maiores gastos do futuro engenheiro electrotécnico de Almeirim são a renda do quarto alugado no Monte da Caparica (150 euros) e o combustível que põe no seu Peugeot 307, o maior investimento que fez até hoje. Porque trabalhar em Almeirim e em Lisboa e estudar na Caparica requer uma mobilidade que os transportes públicos não lhe asseguram.As contas são feitas ao milímetro. Todos os domingos, antes de sair de Almeirim, abastece o carro com 40 euros de gasóleo. “Aproveito a promoção de uma estação da cidade, que dá desconto de cinco cêntimos por litro”, admite. Se chegar a sexta-feira e o depósito já estiver na reserva abastece apenas o mínimo, que dê para fazer os quilómetros de Lisboa até Almeirim.Quando vem para Almeirim aproveita para comer em casa dos pais, para poupar dinheiro. Nem que jante à meia-noite. E quando há almoços de família fica sempre à espera que alguém se chegue à frente para pagar, confessa. Em tempo de aulas também não é de jantar fora. Foi por causa dele que os colegas passaram a fazer jantaradas em casa de uns e outros em vez de irem ao restaurante. “Acredito que lhes incuti no espírito o desperdício que é gastar dinheiro em restaurantes. Agora vamos ao supermercado comprar o que precisamos e fazemos nós próprios, sempre fica mais barato”.A namorada não se queixa do seu estilo de vida, pelo menos é nisso que Valter acredita. Até porque não é forreta ao ponto de não lhe dar alguns “mimos”. “Não lhe dou só prendas quando faz anos, costumo até dar-lhe com alguma frequência”. Nunca presentes muito caros mas coisas simbólicas. Por exemplo, em vez de gastar dinheiro num ramo de flores, oferece-lhe só uma. Afinal a intenção é que conta.Valter tem prazer em poupar. E confessa que o que mais gosta, quando vai ao banco, é fazer uma transferência de dinheiro da conta à ordem para a conta poupança.

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