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O “negócio” do pedir que acompanha as peregrinações

Fátima, 13 de Outubro
Edição de 18.10.2006 | Sociedade
A venda de lenços brancos nas principais ruas de Fátima, a par de crianças agarradas a pequenos acordeões que debitam notas desafinadas, são apenas duas das vertentes visíveis da nova forma de pedir em dia de peregrinação.Sexta-feira, 13 de Outubro, na Cova da Iria, são dezenas as mulheres e homens que se dedicam a apregoar pelas ruas “lenços para a procissão do Adeus”. “Dois lenços um euro. Leve senhora, leve. Dê uma ajudinha para comer”, diz uma mulher, enquanto ao lado, um homem de bigode rivaliza no pregão, dizendo: “é oportunidade única, aproveite”.Na noite de quinta-feira, o produto à venda eram velas para a procissão. Os peregrinos vão tentando desviar-se desta forma de pedir, mas a cada metro deparam com um estropiado que estende a mão à espera de uma moeda, uma idosa que reclama ajuda porque a reforma não dá ou uma criança que, com um bebé ao colo, pede “dinheiro para leite”.“Isto é um aproveitamento do fenómeno de Fátima. As pessoas estão mais sensíveis à palavra solidariedade quando vêm aqui e os pedintes sabem-no”, diz um sacerdote que costuma fazer serviço em Fátima.Há uns anos, os pedintes instalavam-se mesmo nas entradas do recinto do Santuário, actualmente, porém, e depois de um esforço continuado por parte dos guardas desta estrutura, afastam-se um pouco e povoam as ruas em redor.De vez em quando, aparecem também vendedoras de autocolantes, com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que muita gente compra pensando que se trata de uma forma do Santuário angariar dinheiro.Os múltiplos avisos por parte dos responsáveis pelo Santuário têm levado os peregrinos mais esclarecidos a recusarem a compra dos autocolantes, no entanto, em muitas ocasiões, ainda são em grande número os que sucumbem aos pedidos.Entretanto, enquanto esta actividade de “economia paralela” se desenvolve nas ruas, o comércio local preocupa-se para, em cada ano, apresentar novidades em termos de produtos que convençam os peregrinos a levar “uma recordação de Fátima”.Este ano, com muita saída, segundo alguns comerciantes, estão novas imagens da irmã Lúcia, a vidente cujo corpo foi trasladado para a Basílica do Santuário em Fevereiro. Sorridente, de óculos, com o braço em posição de aceno, a imagem da mais velha dos três pastorinhos convence muitos peregrinos a levaram-na com eles.Lusa

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