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Três décadas a “surfar” para ser campeão

Surfista de Alhandra é campeão do mundo de windsurfing

Com muita vontade e quase nenhuns apoios, o surfista Bruno Bértolo, do Alhandra Sporting Clube, sagrou-se campeão do mundo de windsurfing, na categoria masters, destinada a atletas com mais de 35 anos. O campeonato disputou-se na Coreia do Sul no final do mês de Setembro e o português considera que a sua vitória foi alicerçada no trabalho e na dedicação à modalidade.

Edição de 25.10.2006 | Desporto
Bruno Bértolo tem 36 anos é professor de educação física e começou muito novo a praticar surf. Foi o pai, também entusiasta do surf, que quando ele tinha apenas seis anos lhe ofereceu a primeira prancha e o levou para a água. Uma paixão que dura há três décadas.Os olhos brilham de orgulho e o sorriso rasgado nos lábios são a prova de que aos 36 anos,Bruno Bértolo passa por um período feliz da sua vida. “Já tinha sido campeão nacional, tinha participado em provas europeias, mas esta foi a minha grande vitória até ao momento”, garantiu. A felicidade do atleta é tanto maior quanto sabe que a vitória se fica a dever quase em exclusivo a ele próprio.O Windsurf é uma modalidade praticada na água. Uma prancha e uma vela são os apetrechos necessários para praticar as várias vertentes da modalidade. Bruno Bértolo pratica a vertente de corrida, agora na categoria de masters, onde conseguiu o êxito maior da sua carreira.Embora seja praticante federado há 23 anos, Bruno Bértolo treina todos os dias várias horas e segundo a sua opinião o facto de no ano passado ter sido colocado numa escola em Portimão e ter podido treinar no mar mais assiduamente foi determinante para ter chegado ao título mundial. Não foi fácil a sua participação na prova que se disputou na Coreia do Sul. Considera que a federação não olha muito para esta modalidade e os apoios foram muito poucos. Toda a família teve que abdicar das férias para conseguir arranjar verbas para se deslocar. “Só decidi ir à Coreia uma semana antes do Campeonato do Mundo, porque os apoios eram muito poucos” referiu Bruno Bértolo.Aliás só o muito amor que tem pela modalidade faz com que Bruno Bértolo continue a remar contra a maré. “Tem sido com muito sacrifício que continuo a praticar a modalidade a este nível. Uma prancha normal custa 1.500 euros e uma vela 2.500 euros, e tudo isso sai do orçamento familiar”, refere.Também por isso a vitória no Campeonato do Mundo foi mais saborosa. Bruno Bértolo levou para a Coreia do Sul apenas uma vela e uma prancha, material que não era da última tecnologia. “Partia assim teoricamente em desvantagem em relação aos outros concorrentes que tinham três equipamentos permitidos pelos regulamentos. Mas felizmente acabei por ter a sorte de conseguir sempre boas actuações e chegar ao fim na posição de vencedor”, referiu ainda algo incrédulo o surfista alhandrense.Bruno Bértolo está também agradecido ao outro atleta português que esteve presente, que tem outras condições financeiras e de tempo, e que lhe cedeu algum material que tinha a mais. “Foi uma ajuda muito importante que o meu companheiro me deu”.O Campeonato do Mundo divide-se por várias provas disputadas durante vários dias, e as coisas começaram a correr bem a Bruno Bértolo desde o primeiro dia, quando se classificou no primeiro lugar da sua categoria. “Consegui depois ir controlando sempre as outras provas, e consegui chegar na frente no primeiro lugar. Foi uma grande alegria”. O Alhandra Sporting Clube é o seu clube de sempre e vai ajudando como pode, mas o surfista pensa que merecia mais apoio da parte das entidades ligadas à modalidade. “Estou satisfeito com a postura dos dirigentes do Alhandra. Quiseram fazer um jantar de homenagem, que eu agradeci mas recusei, porque entendo que o clube que trabalha muito bem, tem outras prioridades, nomeadamente no apoio aos atletas mais jovens”, diz com simplicidade Bruno Bértolo.Esta época terminou para Bruno Bértolo, mas o surfista está já a pensar na próxima temporada, onde quer lutar pelo título europeu, que se disputa na Suíça, e pelo mundial que se vai disputar no Brasil. “Penso mais no europeu porque será mais fácil a minha deslocação, e também porque reconheço que tenho mais hipóteses de vencer”, referiu o campeão do mundo.

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