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Torneiro mecânico e inventor

Armindo Pires tem oficina montada em Azambuja

Armindo Pires é torneiro mecânico há 45 anos. Na sua oficina de Azambuja fabrica portas, gradeamentos e protecções hidráulicas para sistemas de abastecimento de água de marca patenteada. Mas o rol de serviços não se fica por aqui. O importante é responder às necessidades dos clientes. Nem que para isso seja preciso inventar uma peça.

Edição de 25.10.2006 | Identidade Profissional
Quem contorna a curva do Largo do Relógio de Sol, à beira da Estrada Nacional 3, em Azambuja, encontra a oficina de serralharia civil e mecânica Pires e Silva. Ao fundo do pavilhão, de bata azul, marcada pelos óleos dos ferros, o torneiro mecânico Armindo Pires, 59 anos, debruça-se sobre uma porta metálica.É este o trabalho que o tem ocupado nas últimas horas. Os perfis já vêm concluídos da siderurgia, mas é preciso soldar as peças. Mas esta é apenas uma pequena parte do trabalho do profissional que também constrói gradeamentos e até escadas em caracol.O gradeamento que delimita a propriedade da sua casa e oficina foi construído pelo próprio pouco depois da filha ter nascido, há mais de 20 anos. “Estudei o modelo e construí uma máquina para configurar as barras que saem logo em forma de anéis e ligeiramente flectidas. Depois os ferros são pingados e soldados ao gradeamento. Ficou tudo concluído exactamente na altura que a minha filha começou a gatinhar”, recorda.Mas o trabalho do torneiro mecânico destaca-se pela especificidade. O profissional é o único a fabricar na sua oficina as protecções hidráulicas do tipo JDC, uma marca patenteada.Os hidroescapes e as hidroventusas foram inventados por um antigo cliente do torneiro, João Duarte Cordeiro, e fabricadas por Armindo Pires. São peças que podem ser usadas em sistemas de abastecimento de água. “O hidroescape é uma peça de metal que liberta a pressão de ar das condutas para evitar o rebentamento de canos”, explica o torneiro, que já forneceu este tipo de produto de maior dimensão, produzido na sua oficina, à EPAL. A empresa Águas do Oeste, que está actualmente a trabalhar no sistema de abastecimento de água em alta do concelho, também já solicitou os serviços do técnico para alguns trabalhos de reparação de peçasO leque de serviços de fabrico de peças da oficina é vasto. Armindo Pires também recupera componentes de máquinas. “Cheguei a ser chamado à Avipronto para resolver um problema com uma máquina que tinha algum desgaste”, diz entusiasmado o profissional associado da Associação Industrial Portuguesa (AIP).O principal objectivo do técnico é responder às necessidades dos clientes. Nem que para isso seja preciso inventar uma peça, como acontece sempre que é preciso ligar uma máquina a um motor. A capacidade de imaginação aliada à técnica que Armindo Pires domina é meio caminho andado. “O torneiro mecânico aprende de tudo um pouco. Desde a serralharia passando pela soldadura. A minha área está ligada a todas as outras”, descreve.O técnico aprendeu o ofício em oficinas da zona de Santarém aos 14 anos. Sempre foi interessado em saber mais e tinha por hábito consumir livros técnicos sobre a profissão. O quarto ano do Curso Geral de Mecânica, equivalente ao oitavo ano de escolaridade, ficou por concluir por pouco, garante o ex-militar do ultramar, natural de Fazendas das Figueiras, Coruche. O torneiro começou na garagem de sua casa, mesmo ao lado da oficina, onde chegou a ter todas as máquinas em funcionamento. “Chegava a dormir duas horas por dia”, recorda o ex-operário da Mague de Alverca, que aos 35 anos se instalou por conta própria. Começou com quatro máquinas. Hoje tem a oficina com equipamento completo e chegou a ter colaboradores pontuais pagos à hora. Nos anos de intensa produção a esposa chegava a ajudar na oficina para que as pequenas peças que completam os hidroescapes estivessem concluídas a tempo de fazer a entrega ao cliente. Nos últimos dois anos a procura dos seus serviços tem vindo a diminuir e há alturas de pouco movimento na oficina. Mas o técnico acredita que melhores dias virão.Ana Santiago

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