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Um político à beira de um ataque de nervos

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Edição de 25.10.2006 | Opinião
O actual presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, Joaquim Rosa do Céu, fez história na região e no país ao conquistar a Câmara de Alpiarça ao PCP, considerada na altura uma fortaleza do poder comunista nas autarquias. Para isso lutou durante muitos anos e alimentou a esperança de ser presidente da câmara da sua terra até ver o sonho concretizado. A razão para mudar era tanta que se criaram todas as condições para que quase todos em Alpiarça se unissem à volta do mesmo objectivo: destronar do poder aqueles que o exerciam há demasiado tempo com arrogância e falta de competência.Quase dez anos passados Rosa do Céu perdeu a grande maioria dos amigos que o ajudaram a ganhar a câmara. Desde há muitos anos que Rosa do Céu se fechou entre quatro paredes onde exerce o poder como os pequenos governantes envergonhados pelas suas acções.O que se está a passar em Alpiarça, e que é notícia hoje no nosso jornal, e o que já foi notícia noutras edições, pode ser, em grande parte, fruto do exercício do poder arrogante e solitário de Rosa do Céu. Ninguém com um mínimo de inteligência política ganha uma câmara para fazer o mesmo, ou ainda pior, que os seus antecessores. Não há razões que justifiquem a violência ou a ofensa gratuita mas também não há perdão para aqueles que exercem o poder para humilharem os pobres e os desprotegidos.Quem não governa ao lado das populações governa contra elas. Ofender um trabalhador de uma comunidade é ofender a honra de toda a comunidade trabalhadora. O que está a acontecer em Alpiarça é uma pequena desgraça para o prestígio e o crédito do poder local.Apetece escrever, citando, que Rosa do Céu é, nesta altura, um homem à beira de um ataque de nervos. Que pode passar do seu gabinete solitário para uma redoma de vidro. Que pode ficar na história de Alpiarça como o Imperador que trouxe a paz mas também criou o medo, o medo dos outros e o seu próprio medo. Não admira por isso que goste de ficar o dia inteiro fechado num gabinete e entre quatro paredes. Como não tem que mostrar a cara também pode esconder, por ventura, os olhos vermelhos, inchados da fadiga, os olhos que não têm coragem de fixar os nossos, os das populações que o elegeram, com medo que possamos decifrar neles os fantasmas que o atormentam, o terror que sente por não conseguir ser feliz governando a sua terra e as suas gentes.JAE

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