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A vida difícil do peão

O transtorno de andar na cidade em dias de chuva

Com o mau tempo agudizam-se as barreiras para os peões. Pior é a situação para os portadores de deficiência que vêm multiplicar-se as ratoeiras da cidade.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
Poucos são aqueles que podem dizer que nunca apanharam “um banho” em dias de chuva devido às poças de água que se formam, quer nas estradas quer nos passeios. Circular a pé nestes dias revela-se um verdadeiro desafio e quem se aventura arrisca-se também a apanhar uma constipação.Margarida Nunes passeia a filha de quatro meses no seu carrinho já preparado para fazer face à precipitação que se tem feito sentir na região de Vila Franca de Xira. Aproveitou “esta aberta da tarde para vir à rua resolver alguns assuntos”, já que durante a manhã foi obrigada a ficar em casa.“Com a bebé não posso andar na rua com esta chuva”, diz Margarida Nunes. A mãe sublinha que aos constrangimentos naturais de andar na rua com chuva, acrescem os provocados pelo Homem. Como os passeios impedidos com automóveis, obras ou mesmo postes que a obrigam a desviar-se para a estrada com o carrinho.Também para quem possui alguma deficiência a circulação em dias molhados torna-se ainda mais complicada, como testemunha Augusto Hortas, invisual. “Costumo dizer – que chova, mas que eu esteja dentro de casa –, porque as dificuldades que surgem são realmente muitas”, refere Augusto Hortas. Os passeios impedidos são uma das principais “que nos faz ir para a estrada e corrermos o risco de ficarmos encharcados ou mesmo sermos atropelados”. Augusto Hortas aponta ainda a irregularidade do piso como um dos obstáculos, já que permite a formação de “charcos” no meio do passeio. Nem mesmo a sua cadela-guia Camila o consegue salvar de todas as “ratoeiras” espalhadas pelas ruas em que circula.Os “banhos” em dias de precipitação são transversais a todos, muito por culpa da “falta de respeito dos condutores”. Júlia Guedes relata o episódio mais recente de muitos que já viveu: “no outro dia apanhei um tão grande que a água me entrou pelo pescoço e encharcou-me toda! Tive mesmo que ir para casa trocar de roupa e aquecer-me, mas ainda fiquei com febre por causa disso”. Já Júlia Barroso, para além dos “inúmeros banhos” que apanhou ao longo da vida, recorda o dia, no início deste ano, em que teve que “atravessar a rua com água pelo joelho” para conseguir chegar a casa. A falta de limpeza das sarjetas originou então a inundação da rua, cenário que se vai repetindo pelas ruas do concelho de Vila Franca quando o sistema de escoamento das águas pluviais não funciona. Mas os elevados índices de precipitação têm ainda efeitos negativos para a economia local. “Ninguém vem ao cabeleireiro quando está a chover assim, não vale a pena”, queixa-se Jacinta Amaro, mais conhecida por D. Tita, proprietária de um estabelecimento junto ao mercado municipal de Vila Franca. Maria de Fátima Oliveira, funcionária de um outro cabeleireiro, confirma o facto. “As pessoas dizem que não adianta vir ao cabeleireiro se logo a seguir com a chuva fica tudo estragado. Vêm só quando é mesmo necessário”. A cabeleireira acrescenta ainda que “o Inverno é uma péssima época para o negócio”. Sara Cardoso

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