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Carros velhos já podem ser reciclados

Carros velhos já podem ser reciclados

Região tem dois centros de desmantelamento de veículos em fim de vida

Quem tiver veículos velhos já os pode entregar sem custos nos centros autorizados da Valorcar em Porto Alto e Abrantes.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
Centenas de carros ferrugentos, velhos, alguns já sem portas, vidros ou luzes, estão alinhados no pátio da empresa Bentos Lda., em Porto Alto, concelho de Benavente. São viaturas em fim de vida à espera de entrarem nas instalações para serem descontaminados e posteriormente reciclados. Lá dentro um empilhador ergue uma dessas sucatas para cima de uma estrutura metálica. Começa mais uma operação de descontaminação de um veículo nesta que é uma das empresas do distrito certificadas para o fazer. Antes já os funcionários da empresa, que tiveram formação específica para este tipo de operações, retiraram as rodas. As jantes vão para dentro de um contentor. Os pneus juntam-se numa pilha a um canto do amplo armazém. Os vidros são retirados. Alguns, que estão colados, são cortados com uma serra própria. E vão para um contentor específico. Ali ao lado há caixotes de plástico para outros componentes. As baterias vão para uma das caixas identificada com uma etiqueta. Ao lado alinham-se outros recipientes. Um para os cabos eléctricos, outro para os catalizadores, outro para os radiadores, mais um para os filtros de óleo. Os pára-choques também são retirados para mais tarde serem transformados em novos produtos (ver caixa).Na estrutura elevada, à altura de uma pessoa, chamada máquina de descontaminação, é colocado um recipiente por baixo do depósito de gasolina. Uma broca fura-o e o combustível cai para o recipiente com um tubo que aspira o líquido para um depósito próprio no pátio do centro de desmantelamento. O mesmo acontece com os óleos de travões e do motor.Os amortecedores também são furados com um sistema próprio que retira o poluente. Depois o carro vai ocupar um dos lugares reservados no pavilhão. Antes de ir para derreter na indústria siderúrgica, os interessados podem retirar peças do veículo, que são vendidas pela empresa. Os compradores, normalmente mecânicos, levam as malas de ferramentas e desmontam os componentes.A maior parte dos veículos que aparecem para abater são de gamas mais baixas. Até à data foram entregues neste centro, que começou a funcionar em Maio, 360 veículos. A maior parte são entregues por particulares, que recebem um certificado de destruição do veículo. O livrete e o registo de propriedade são depois enviados pelo centro para a Direcção Geral de Viação para serem cancelados.António Gaspar, encarregado da empresa, conta que as operações de desmantelamento dos veículos demoram entre 20 a 30 minutos. E valoriza o facto de agora ser possível dar destino aos veículos velhos respeitando o ambiente. Para Ana Bento, proprietária do centro, esta é uma boa área de negócio. “Já estávamos ligados ao negócio das sucatas e vimos no desmantelamento de viaturas uma boa oportunidade de expandir a empresa”, contou. Na região, além deste centro há apenas mais um no norte do distrito de Santarém. É a RSA em Abrantes, que tem um protocolo com a PSP para receber carros abandonados (ver texto ao lado). Actualmente existem quinze centros em todo o país, distribuídos pelos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Lisboa, Porto, Santarém e Setúbal. Integram a rede Valorcar (formada pelas associações do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), dos Industriais de Automóveis (AIMA) e pela Associação Nacional dos Recuperadores de Produtos Recicláveis). Esperam reciclar este ano cerca de 20 mil veículos em fim de vida.
Carros velhos já podem ser reciclados

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