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Criança fica fechada na casa de banho do cemitério

Por causa da maçaneta da porta estar estragada

Joana tem nove anos e no dia 16 apanhou o maior susto da sua vida. Por causa de uma maçaneta avariada ficou fechada na casa de banho do cemitério do Entroncamento.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
Foram cerca de dez minutos mas para a pequena Joana pareceu uma eternidade. Na tarde de segunda-feira, 16 de Outubro, ficou fechada na casa de banho do cemitério do Entroncamento, devido a uma avaria na maçaneta da porta. Quatro dias após o incidente a criança, de nove anos, afiançou que nunca mais fará as necessidades em locais públicos. A não ser acompanhada.Joana tinha saído da escola e apanhado o autocarro dos transportes urbanos (TURE) que a levaria a casa. Durante o percurso sentiu vontade de fazer uma necessidade fisiológica. Ainda tentou aguentar a vontade mas quando o autocarro parou junto ao cemitério do Entroncamento ganhou coragem e pediu ao motorista se podia aguardar um bocadinho para ir à casa de banho existente no espaço.“O motorista até me disse onde ela ficava”, diz Joana, ainda não refeita do susto. Faltavam dez minutos para as cinco da tarde, hora a que fecha o cemitério, quando a criança se dirigiu à casa de banho. Entrou, fechou a porta por dentro e só quando precisou de sair é que se apercebeu que a maçaneta não abria.Entrou em pânico. “Comecei a dar murros e pontapés na porta mas ela não abria”, refere, adiantando que a seguir começou a gritar – “socorro, tirem-me daqui”. Depois parava para ver se ouvia alguma coisa, chorava, e voltava aos gritos de aflição. Valeu-lhe o coveiro, que passava perto do local e ouviu o barulho. O motorista do TURE, estranhando a demora da criança, também tinha já deixado o autocarro e dirigia-se para o cemitério.O coveiro, diz Joana, tentou primeiro abrir a porta por fora mas, como não conseguia, foi buscar o caixote do lixo que está na redondeza, pôs-se em cima dele e pediu à criança para, do outro lado, lhe dar as mãos. A sorte, no meio do azar, é que a parede frontal da casa de banho não vai até ao tecto, deixando aberto um espaço de cerca de meio metro. Foi por aí que Joana saiu, puxada pelo coveiro que entretanto tinha chamado um colega.Teresa Figueiredo estranhou os sinais de aflição que viu na filha quando esta chegou a casa. “Ainda ia a tremer” refere, adiantando ter ficado tão incrédula com a situação que nem se lembrou de contactar os serviços responsáveis para alterar a situação. O que Teresa não fez, fez a sua irmã. “Depois de eu lhe contar o sucedido, veio ao cemitério falar com o coveiro e disse-lhe que a manutenção das casas de banho também seria da sua responsabilidade”. Uma advertência que parece ter surtido efeito já que, na sexta-feira passada, a casa de banho em causa já tinha a maçaneta arranjada.“Não foi nada demais. Eu próprio fui buscar uma chave de fendas e arranjei a porta, que tinha a fechadura encavalitada”, referiu a O MIRANTE o coveiro Pedro Fresco. Que minimiza a questão – “Apesar de a pequenita estar muito abalada foram apenas uns minutos lá dentro”.Apesar disso, a mãe de Joana não quis deixar de contar o episódio que poderia ter sido mais grave. “Imagine que o coveiro não ouvia a minha filha e fechava o portão? Imagine se o motorista do autocarro não fosse uma pessoa tão zelosa e responsável. A minha filha tinha passado a noite fechada no cemitério, que seria o último lugar onde eu a procuraria”, diz Teresa Figueiredo.Margarida Cabeleira

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