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Engordar as finanças no Festival de Gastronomia

Certame que se realiza em Santarém é uma oportunidade para ganhar dinheiro extra

O Festival Nacional de Gastronomia é uma oportunidade para muita gente da região fazer trabalho extra e amealhar uns cobres. Seja a servir à mesa, a tirar fotografias ou a tomar conta de um stand de artesanato.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
Há 15 anos que o fotógrafo Alberto Silva deixa a sua loja em Fazendas de Almeirim para se dedicar de corpo e alma ao Festival Nacional de Gastronomia. A Casa do Campino, em Santarém, passa a ser uma espécie de segunda moradia, onde trabalha e faz as refeições. A quebra na rotina diária dura três semanas e causa desgaste. Mas compensa do ponto de vista financeiro. Enquanto muitos forram o estômago com as iguarias ali servidas, o fotógrafo compõe o pé-de-meia com as fotografias que tira e vende aos comensais.Nos primeiros anos tirava as fotos à hora do almoço e ia de carro revelar os rolos ao seu estúdio em Fazendas de Almeirim, concelho de Almeirim, regressando a tempo de as vender aos participantes no almoço diário no salão do festival. Mais tarde optou por montar um estúdio na Casa do Campino. Antes do certame começar alugava uma carrinha e transportava para Santarém uma máquina de revelação que pesava uma centena de quilos. Alberto Silva dá também durante este período emprego a jovens que têm gosto pela fotografia e querem aprender a arte. Desde o ano passado que começou a trabalhar com equipamento digital. Agora em cinco minutos imprime as caras de quem quer levar uma recordação do festival. Pelos corredores do festival é quase impossível não dar de caras com António Aranha. O funcionário da Câmara de Santarém é um dos mais conhecidos do festival. Há 20 anos que faz de segurança, que dá apoio às tasquinhas, encaminha e dá informações aos visitantes. Anualmente tira férias para reforçar os rendimentos a trabalhar para a Região de Turismo do Ribatejo.Este ano a Câmara de Santarém optou por dispensar os seus funcionários que colaboram habitualmente no festival, continuando a pagar-lhes como se estivessem ao serviço do município. Apenas fora do horário de trabalho é que são pagos pela Região de Turismo do Ribatejo. Mesmo assim António Aranha espera ganhar cerca de 800 euros pelas muitas horas que passa em pé. Começa às 09h00 e sai sempre depois da uma da madrugada. O dinheiro serve para ajudar a pagar os cursos das filhas. Além do dinheiro, o funcionário gosta de contactar com pessoas, de conhecer novos amigos. “Chega-se a uma altura que trabalhar aqui torna-se um vício. E até ajuda a aliviar o stress porque estamos a exercer funções diferentes das que executamos todo o ano”, justifica, enquanto se dirige a uma banca onde prova uma fatia de queijo do expositor que trata por amigo. Tal como os outros. Um marinheiro em terraLuís Maurício, residente em Atalaia, Vila Nova da Barquinha, está pela primeira vez a trabalhar no festival, como empregado de mesa do restaurante da Herdade dos Cadouços, de Bemposta (Abrantes). O militar da marinha tinha uns dias de férias e aproveitou a oportunidade. Se não fosse trabalhar ficaria em casa a descansar, porque “o custo de vida não está para passeios”, comenta. Já tinha estado na gastronomia como cliente e adorou o ambiente. Agora está também a gostar do convívio. “É uma experiência interessante apesar das muitas horas de trabalho e do cansaço” que a actividade provoca, diz. Acrescenta que compensa o dinheiro que se ganha e que serve para completar o ordenado. As “razões económicas” levaram também pela primeira vez Paula Fidalgo a procurar um part-time fora das horas de trabalho na Câmara de Santarém. Está a tomar conta de um stand de artesanato no Festival de Gastronomia, das 19h00 às 24h00 durante a semana, e aos sábados e domingos o dia inteiro. O expositor é de Vila Nova de Gaia e procurou uma pessoa da região para lhe garantir o negócio. Paula, que conhece bem o festival, aceitou, porque a vida não está fácil.

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