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Maratona à mesa

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
O convite apontava para a presença às 12h00, mas o saber de experiência feito fez-me dar meia hora de desconto. Às 12h30 de sábado cheguei à Casa do Campino com a intenção de participar no almoço comemorativo do Dia do Ribatejo, que funcionava também como inauguração oficial do Festival Nacional de Gastronomia que ali decorre até 5 de Novembro.À chegada confirmou-se o que já esperava. O programa estava atrasado. Várias dezenas de personalidades de fato e gravata aguardavam a chegada das entidades oficiais, como o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, o abrantino Jorge Lacão.O Dia era do Ribatejo e surgiram autarcas de vários pontos do distrito. Os nossos deputados também apareceram em bom número. Não há dúvida que a promessa de boa mesa é um grande chamariz. Há muito tempo que não se via tanta gente importante da região sob o mesmo tecto. Cerca da uma da tarde chegam finalmente as entidades oficiais. O secretário de Estado da Justiça, o ex-presidente da Câmara do Cartaxo Conde Rodrigues, também vem para o almoço. Os estômagos mais sensíveis começam a dar horas. Finalmente abrem-se as portas do átrio da Casa do Campino, onde são servidas as entradas que o chefe Luís Suspiro cataloga como cozinha contemporânea ribatejana em miniatura.A forma como são apresentados os acepipes troca as voltas à maioria. É difícil reconhecer o prosaico melão com presunto e impossível distinguir à primeira vista pitéus como a punheta de bacalhau. Que para ser preciso, e respeitando a carta, consta de sorvete de tomate com laminado de bacalhau e vinagreta simples.Às 14h00 sobe-se finalmente para o salão nobre onde vai decorrer o almoço, após algumas entradas que começam a deixar os mais puristas com algum receio do que se vai seguir. Mas os temores não se confirmaram. Outro dado curioso: os nomes dos pratos assemelham-se em extensão aos dos membros das casas reais. O que lhes confere alguma distinção logo à partida. A maratona de quase três horas à mesa começa pela sopa de perdiz com feijão faveta. Segue-se o fricassé de lombos de bacalhau com tortulhos da charneca, com migas de grelos em duas texturas. E na carne chispe assado no forno com castanhas, marmelos e puré de pêra bêbada. As doses servidas com parcimónia indiciam que não vai ser precisa a agulha e linha que acompanham o convite, para a eventualidade de algum botão rebentar.A grande sensação para quem gosta de boa literatura surge com as sobremesas. Provar pela primeira vez “farófia vulcânica brotando lava de leite-creme com sorvete de arroz doce e crocante de canela” foi uma experiência inolvidável. Não só pela completa descrição como pelo sabor. Que ajudou a compensar o choque após a meteórica e irrepetível prova do sorvete de azeitonas pretas. Eram cinco da tarde quando os convivas saíram da mesa, após os discursos da praxe e alguma agitação causada pelas meninas da Galp. A sua entrada em cena não passou despercebida e pediu meças ao furor causado pela fumegante “farófia vulcânica brotando lava de leite-creme”. João Calhaz

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