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Nem as árvores se aguentaram de pé

Nem as árvores se aguentaram de pé

Mini-tornado deixa rasto de destruição no norte do Ribatejo

O mini-tornado percorreu mais de 60 quilómetros deixando um rasto de destruição em seis concelhos do distrito de Santarém. Em quatro anos é o terceiro tornado a fazer mossa na região.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
António Duarte pegou no seu avião, estacionado no aérodromo de Proença-a-Nova, e arrancou na tarde de sexta-feira com destino ao Ribatejo. Queria ver do ar o rasto de destruição deixado pelo tornado que, dois dias antes, tinha assolado a região. “Impressionante” foi a palavra escolhida para descrever o que observou. “Lá de cima consegue ver-se perfeitamente o corredor por onde passou o tornado”, diz o militar na reforma, que tentou fazer o mesmo percurso do fenómeno. Um corredor de destruição com um comprimento de mais de meia centena de quilómetros e com uma largura, estima o piloto, entre 50 a 60 metros, “já contando com os efeitos colaterais”. Se em terra o que mais chamou a atenção foram os estragos nas zonas urbanas – cerca de 200 casas destelhadas, chaminés e vidros partidos, dezenas de carros danificados – do ar percebia-se melhor a força do vento nas regiões mais rurais. O impacto é grande quando se vê pinhais e olivais arrasados. “O que à primeira vista parece uma larga estrada feita no meio de um pinhal são afinal dezenas e dezenas de pinheiros deitados ao chão pela força do vento”, diz António Duarte. Na localidade de Tojeira, concelho do Sardoal, mais de 300 pinheiros de médio porte foram partidos ou arrancados. À entrada de Vila Nova da Barquinha, por trás da Urbanização da Torrinha, há oliveiras de tal modo enlaçadas que parecem ter andado a dançar no ar.Carlos do Vale, empregado da Sociedade Agrícola Manuel Aparício e Filhos, andava na sexta-feira no terreno. De enxada na mão corria atrás do prejuízo, abrindo buracos para colocar de novo de pé as árvores que podia. “Pode ser que voltem a rebentar”, dizia esperançado.Das cerca de 200 oliveiras plantadas há uma década com dinheiros da União Europeia, 97 foram arrancadas pelo fenómeno. Carregadinhas de frutos. “Só em azeitona foram mais de três mil quilos ao ar”.Na manhã dessa quarta-feira, 18 de Outubro, Carlos do Vale andava a trabalhar na zona das Vendas, junto ao Entroncamento. “Quando aquilo passou por mim ainda não era um tornado, mas muita chuva e um vento tão forte que me pôs de joelhos”, afirma o trabalhador, longe de imaginar os estragos que pouco tempo depois o fenómeno faria.Foi o patrão, Manuel Aparício, quem lhe deu a notícia dos estragos no olival que, no dia anterior, tinha amanhado com o tractor. “Vim logo para cá e quando aqui cheguei até chorei. As oliveiras não são minhas mas fui eu que as criei, que todos os dias as reguei”.No terreno ao lado havia outro olival, mais pequeno, propriedade de um construtor de Caxarias (Ourém), que Carlos do Vale também tratava. Das 37 oliveiras ali existentes, só duas ficaram de pé.Esta é a terceira vez em quatro anos que este tipo de fenómeno natural deixa estragos na zona norte do distrito, de acordo com o coordenador da Protecção Civil distrital, Joaquim Chambel. “Há três anos passou pelo Entroncamento e há dois pelo Tramagal”, diz, adiantando serem fenómenos “impossíveis de prever” atempadamente.Depois da tempestade, chega agora a altura de arranjar os estragos e fazer contas à vida. O presidente da Câmara da Barquinha, a zona mais atingida, disponibilizou todos os serviços camarários para apoiar a população. E conseguiu do Instituto Nacional de Habitação empréstimos sem juros aos que mais necessitem.Margarida Cabeleira
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