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Pagamento do prejuízo apaga queixa policial

Pagamento do prejuízo apaga queixa policial

Jovem pontapeou carro da PSP de Tomar vai desembolsar 600 euros

PSP de Tomar e jovens de etnia cigana chegam a acordo sobre incidente. Quem pontapeou o carro dos agentes da autoridade vai pagar o prejuízo e polícia desiste da queixa.

Edição de 25.10.2006 | Sociedade
O jovem que na madrugada de domingo, 15 de Outubro, pontapeou um carro patrulha da PSP de Tomar vai pagar os cerca de 600 euros de prejuízo. Esta foi a condição imposta pela polícia para desistir de efectuar queixa.A decisão surgiu após uma reunião entre o comandante da polícia local, comissário Lopes Martins, e alguns elementos de etnia cigana que estiveram envolvidos nos desacatos. Segundo o comissário, o compromisso a que se chegou é mais um passo em frente no êxito do programa de minorias étnicas que a PSP iniciou há dois anos. E, ressalva, este foi o primeiro incidente ocorrido desde 2004.Um incidente que levou um polícia a ver-se obrigado a mandar um tiro de advertência para o ar, depois de o veículo onde seguia ter sido pontapeado por um dos 12 jovens que se encontravam à porta da discoteca de Tomar.Por volta das três da manhã a PSP foi chamada à zona do Rio Bar, no Flecheiro, para acabar com uma desordem. Alguns jovens de etnia cigana queriam forçar a entrada no bar, sendo impedidos pelos seguranças devido ao seu estado adiantado de embriaguês.Quando o carro patrulha se aproximou do local os ânimos já tinham serenado levando os dois agentes a decidirem não parar, seguindo no entanto em marcha lenta. Foi nessa altura, quando estariam a passar em frente da discoteca, que um dos jovens se adiantou e pontapeou a traseira do automóvel. O agente Matos, há ano e meio afecto ao programa das minorias étnicas, saiu de imediato e, ao ver aproximarem-se vários jovens, puxou da shotgun e deu um tiro de aviso para o ar. Um acto que revoltou ainda mais os jovens, uma vez que conheciam bem o agente.“Fiquei surpreendido com a atitude do agente. Esperava que ele viesse falar connosco em vez de mandar o tiro”, diz Almerindo Barbosa Lima, um dos elementos do grupo que compareceu na quinta-feira à reunião com a PSP. O agente Matos justifica-se: “Vi dois ou três virem na minha direcção. E se eu não tivesse puxado da arma?”.A situação só acalmou com a chamada de reforços e a vinda de Carlos Barbosa, patriarca de uma das famílias que habita no Flecheiro, que foi “pôr água na fervura”. Carlos Barbosa é, no âmbito do programa das minorias étnicas, um dos mediadores entre os elementos de etnia cigana, a polícia e a comunidade.Na altura os jovens foram notificados para prestar declarações, o que vieram a fazer após a reunião de quinta-feira, onde admitiram que o incidente se deveu ao facto de estarem embriagados. “Houve muito álcool à mistura”.Após a reunião na esquadra da polícia a situação parece ter ficado resolvida – o jovem que fez mossa no carro patrulha vai pagar os 600 euros orçamentados para o arranjo e o agente Matos, enquanto ofendido, vai desistir do procedimento (queixa) e dar disso conhecimento ao Ministério Público.Polícia e membros da etnia cigana garantiram ainda que o incidente não vai afectar em nada o relacionamento existente entre as partes. “Não é por causa de um acontecimento menos bom em dois anos que o programa não vai ter sucesso”, afiançou Almerindo Barbosa Lima, que foi à reunião na qualidade de testemunha.
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