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Paulo Lopes é treinador por carolice e paixão

Ribatejano à frente do hóquei em patins feminino português

O treinador e seleccionador nacional de hóquei em patins feminino é um ribatejano “adoptado”. Veio para Tomar com oito anos e actualmente reside no Entroncamento. Em conversa com O MIRANTE, fala do desenvolvimento da modalidade no país e na região.

Edição de 31.10.2006 | Desporto
Parece mentira mas é verdade: o seleccionador e treinador da selecção nacional feminina de hóquei em patins de Portugal não recebe qualquer remuneração pelo seu trabalho. Apenas quando está com a equipa em prova, como aconteceu recentemente no Campeonato do Mundo que decorreu no Chile, recebe uma subvenção diária, para compensar os dias perdidos na sua actividade profissional.Paulo Lopes, que é professor de educação física numa escola em Torres Novas e vive no Entroncamento, afirma que ao fazer esta revelação não se está a queixar, porque está desenvolver um trabalho apaixonante, e que o faz com gosto. “Tenho duas grandes paixões na vida: primeiro a minha família, esposa e filho, depois o hóquei em patins, modalidade que faz parte da minha vida desde os 12 anos”, referiu ao nosso jornal.Paulo Lopes nasceu há 36 anos nos Açores, um tanto ou quanto por acaso. O pai estava na ilha a prestar serviço militar e o petiz nasceu lá. Veio para Tomar aos oito anos, e foi aí que o “bichinho” do hóquei em patins lhe entrou no coração. Fez toda a sua formação no Sporting de Tomar onde jogou depois na equipa sénior até aos 27 anos. “Na altura em que o hóquei em Tomar era uma referência a nível nacional”, disse com saudade.A necessidade de acabar o curso de ciências do desporto e educação física, com a especialização em hóquei em patins, levou-o para Coimbra, a única universidade que tinha a especialização em hóquei. Foi ali que acabou a carreira de praticante. Mas nem nessa altura deixou de estar ligado ao Sporting de Tomar. Era então treinador da equipa feminina.No final do curso foi convidado a fazer o estágio numa equipa de hóquei em patins que estivesse na primeira divisão, e assim voltou ao Sporting de Tomar, onde acabou por se fixar primeiro como preparador físico e depois como treinador principal. Foi mais uma ligação de cinco anos. Surgiu então o convite para integrar a Comissão Técnica da Federação Portuguesa de Patinagem. Aceitou e ficou desde logo ligado ao hóquei feminino, mas foi também treinador da selecção de juvenis e juniores, onde fez e continua a fazer um trabalho de grande qualidade.Há dois anos que é seleccionador principal do sector feminino. Um sector que como todo o hóquei em Portugal passa por uma fase menos positiva. “Por isso estamos a trabalhar com um grupo de jovens que reunimos todos os meses para formar uma equipa coesa, que já deu muito boas indicações no Campeonato do Mundo que se realizou no Chile, onde apesar de termos a equipa mais jovem do torneio, perdemos apenas nas meias-finais, e de uma forma que nos deixou muito amargurados, porque aconteceram coisas extra hóquei que nos penalizaram muito”, referiu Paulo Lopes.Pelo que se passou no Chile, um país que está a tentar organiza-se na modalidade, Paulo Lopes atesta a ainda pouca força do hóquei a nível mundial. Na Europa, para além de Portugal, Espanha e Itália, estão agora a apostar mais em força outros países como a França, Alemanha, Suíça e Inglaterra. “Mas é preciso que na América do Sul os países se organizem melhor para que acabe a pequenez do hóquei em patins e a ajude a tornar-se uma modalidade olímpica”, referiu.Para Paulo Lopes, se o Hóquei em Patins conseguisse chegar aos Jogos Olímpicos seria um passo importante para tornar a modalidade numa das mais fortes do mundo. “Quando acontecer a entrada nos Jogos Olímpicos, que eu espero seja feita a médio prazo, não tenho dúvida de que rapidamente será uma das mais praticadas a nível mundial”.Hóquei português passa por uma crise de referênciaComo todas as modalidades em Portugal, o hóquei em patins também passa por uma crise, que, para Paulo Lopes, é de financiamento, mas também da falta de uma referência que puxe os jovens para a modalidade.“O crescimento da modalidade passa muito pelas camadas jovens. É nessas camadas que se começa a notar a crise, falta um nome de referência, como havia até alguns anos atrás, para entusiasmar os jovens a vir para a modalidade”, referiu Paulo Lopes.Mas há clubes a trabalhar bem. Portugal tem alguns jovens de grande categoria, a Selecção Nacional está a passar por uma forte renovação, por isso Paulo Lopes mantém a esperança de muito rapidamente a modalidade voltar a ser uma das mais acarinhadas em Portugal.

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