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“Todos os dias aparecem pedidos para abater sobreiros”

Secretário de Estado alerta para "desmazelo social" sobre o montado de sobro
Edição de 31.10.2006 | Economia
O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas alertou para o "desmazelo social" existente em Portugal sobre a importância do montado, apontando como exemplo os pedidos diários que chegam ao ministério para abate de sobreiros."Todos dias, aparecem no Ministério da Agricultura pedidos para cortar sobreiros, 'empacotados' com justificações de que são poucos hectares e de que é para fazer um investimento com grande rentabilidade económica e social", revelou Rui Nobre Gonçalves, em Évora, durante o seminário internacional sobre o montado que arrancou dia 25 de Outubro naquela cidade.O secretário de Estado frisou que os projectos na base desses pedidos " são sempre apresentados como sendo mais importantes do que 200 ou 300 sobreiros ou do que dois ou três hectares de montado", mas, ao serem analisados "com atenção", constata-se que a sua contribuição social não justifica o corte daquelas árvores."Alguns desses empreendimentos não têm uma perspectiva, nem de médio, nem de longo prazo, apenas de curto prazo e, se fizermos as contas completas aos seus custos sociais, ambientais e económicos, talvez o seu rendimento para a sociedade não seja assim tão importante", argumentou.À margem do encontro, questionado pela agência Lusa sobre o encaminhamento que o Ministério da Agricultura dá a esses pedidos de abate de sobreiros ou azinheiras, Rui Nobre Gonçalves garantiu que "a esmagadora maioria é rejeitada".Na sua intervenção durante o seminário, o secretário de Estado argumentou que os pedidos para abate de sobreiros são um exemplo do "desmazelo e insensibilidade social" com que são encarados os valores do montado e, em geral, a floresta."Nunca os promotores desses empreendimentos [nas áreas em que é solicitado o corte das árvores], uns públicos e outros privados, se lembram que um sobreiro, até produzir cortiça, demora 60 ou mais anos e que, se cortarmos uma dessas árvores, mesmo que ao lado plantemos outra, só começa a ser rentável após muitas décadas", disse.Para o governante, esta "desvalorização social" do mundo rural e das florestas tem que ser invertida, para solucionar também os "problemas de declínio de qualidade e de serviços" que advêm desses dois sectores."Dá-se um pouco como adquirido que as florestas existem e que não precisamos fazer grande coisa pela sua conservação e vitalidade porque lá continuarão a estar nas próximas décadas e séculos", salientou.Rui Nobre Gonçalves considerou "fundamental" que a sociedade "recupere e reconheça, além da importância económica da floresta, neste caso do montado, que o equilíbrio destes ecossistemas é uma garantia da sustentabilidade social e do desenvolvimento dos países" da zona do Mediterrâneo, como Portugal.O Inventário Florestal Nacional de 1995-98 apontava que a área ocupada por montado, em Portugal, atingia os 1,2 milhões de hectares (713 mil de sobreiros e 462 mil de azinheiras).De acordo com o Novo Inventário Nacional 2005-06, que deverá estar pronto no próximo mês, os resultados preliminares, embora não considerem novas plantações, indicam uma redução de 72 mil hectares de montado, com a área total a abranger 1,1 milhões de hectares (643 mil de sobreiros, com o maior decréscimo, e 460 mil de azinheiras).

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