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Monitora de ginástica diz que não há idade para fazer exercício

Monitora de ginástica diz que não há idade para fazer exercício

Maria Teresa Domingues tem um ginásio de Torres Novas

Maria Teresa Domingues descobriu a sua vocação profissional por causa de uma maleita. O médico recomendou-lhe muita ginástica para amenizar as insistentes dores nas costas. Teresa gostou tanto que acabou por tirar o curso e hoje é ela que dá aulas, no seu ginásio.

Edição de 31.10.2006 | Identidade Profissional
“Um, dois três, e baixa lentamente. Só mais uma série e depois terminamos”, diz Maria Teresa Domingues para as suas alunas, quase no final de mais uma aula de ginástica localizada.Os 46 anos de idade não pesam no corpo de Maria Teresa e pelo sorriso que mantém no rosto durante toda a aula parece que os movimentos não exigem qualquer esforço. “São muitos anos disto” contemporiza a monitora de ginástica.A vida de Maria Teresa Domingues quase dava um filme. Foi de férias para a Suíça e acabou por lá ficar 20 anos. O médico recomendou-lhe a ida ao ginásio para acabar com as suas dores de costas e acabou por tirar o curso de monitora. Hoje não se vê a fazer outra coisa.Aos 19 anos, terminado o 12º ano, Maria Teresa decide dar umas férias a si própria e viaja até à Suiça, onde tinha familiares. Nessa altura não sabia bem o que fazer em termos profissionais e pensou que a mudança de ares a ajudaria a decidir. Maria Teresa partiu como turista e regressou como emigrante, passados quase 20 anos sobre a sua “mudança de ares”.Na Suíça trabalhou com idosos, numa clínica da especialidade. Foi aí que começaram as dores de costas. Cada vez com maior intensidade, ao ponto de ter de consultar um médico. O clínico recomendou-lhe sessões de ginástica para minimizar as dores. Maria Teresa aceitou a sugestão e inscreveu-se numa academia. Sem grandes esperanças de que isso resolvesse o seu problema. Hoje abençoa aquele médico por lhe ter mostrado o caminho da sua verdadeira vocação. “Gostei tanto que resolvi que o meu futuro profissional passaria pela ginástica”.Inscreveu-se num curso e durante cinco anos trabalhou arduamente para ser uma boa profissional. “O curso era muito bom, tive sempre acompanhamento de um fisioterapeuta, por exemplo”, refere a monitora.Regressou a Portugal em 1998 e pensou logo em abrir um ginásio. Como o dinheiro não abundava começou por transformar uma garagem no mini-ginásio, na aldeia dos pais, em Terras Pretas, concelho de Torres Novas.Teresa admite ter tido sorte, considerando não ser fácil angariar alunos numa zona rural. Mas as suas primeiras clientes foram passando o recado de boca em boca e, quase sem dar por isso, a monitora tinha a sala cheia. Tão cheia que já se tornava demasiado pequena para dar aulas.Coma ajuda da irmã meteu mãos à obra e recuperou o velho barracão agrícola da família, transformando-o no Ginásio Matinha. Os clientes agradeceram e foram sendo fidelizados pela alegria e profissionalismo com que Maria Teresa dá as suas aulas.As mulheres são quem mais procura os cuidados da monitora. “Os homens são mais preguiçosos para fazer ginástica”, admite Maria Teresa, adiantando já ter dado aulas a seis homens em simultâneo. O problema foi quando o primeiro desistiu. “Foram todos atrás, desistindo um a um até não ficar nenhum”.O número de mulheres, ao contrário, tem vindo a aumentar. Mas há picos sazonais. “Algumas das minhas alunas esquecem-se de vir durante os meses de Inverno, parece que só arranjam tempo quando o sol começa a espreitar”, diz brincalhona a monitora.Salvam-se as que Maria Teresa chama de resistentes – faça chuva ou sol, lá estão elas à hora marcada, vestidas para uma hora de step, aeróbica ou ginástica pura. Seja qual for a modalidade Maria Teresa dedica os minutos finais de cada sessão aos alongamentos. “É a parte da fisioterapia a funcionar”, diz quem já se sente mal de cada vez que está um dia sem fazer ginástica.Aos 46 anos, Maria Teresa tem um corpo em forma e uma mente sã. E das dores nas costas já se “esqueceu”. “Não há idade para fazer ginástica, devia era haver mais vontade da parte das pessoas”, refere a monitora, adiantando ser “uma pena” as pessoas arranjarem desculpas para não fazerem exercício. “É sempre mais fácil inventar uma desculpa qualquer, como a falta de tempo”.A monitora garante que quem experimenta sente logo diferenças ao primeiro mês. “Para melhor, claro”, diz quem considera que a ginástica faz bem a tudo, não só em termos físicos como também psicológicos. Maria Teresa deixa também um recado - “Mesmo que seja um céptico, experimente, vai ver que vai gostar”.Margarida Cabeleira
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