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Bombeiros salvam ovelhas isoladas pela subida do rio Maior

Bombeiros salvam ovelhas isoladas pela subida do rio Maior

Animais estavam há dois dias sem comer num exíguo terreno enlameado

O rebanho com mais de duzentas ovelhas foi surpreendido pela subida repentina do caudal.

Edição de 31.10.2006 | Sociedade
Um barco dos Bombeiros Voluntários de Santarém aproxima-se da margem do rio Maior com oito ovelhas a balir, de patas atadas para não saltarem borda fora. São as primeiras de um rebanho de 210 ovinos e caprinos a serem retiradas na quinta-feira, 26 de Outubro, de um terreno isolado pela subida repentina das águas. Os animais estavam há dois dias sem comer no paul das Salgadas, perto da ponte do Barbancho, no limite dos concelhos de Santarém e Rio Maior. São 15h45. A poucos quilómetros aproxima-se uma nuvem negra anunciando trovoada. Os bombeiros lutam contra o tempo, na tentativa de retirarem todos os animais antes de escurecer. A lancha de transporte dos Bombeiros Municipais de Santarém, a única preparada para este tipo de situação, carrega 18 animais molhados e assustados, com as patas pretas da lama. Em terra firme correm em direcção à erva. “Com a fome até começam a morder nas calças”, diz um dos bombeiros que as empurra para fora da embarcação. Em 15 minutos os dez bombeiros dos voluntários de Santarém e Almeirim e dos municipais de Santarém e Cartaxo conseguiram tirar 38 ovelhas. Fazem-se contas para ver se é possível concluir a operação ainda durante o dia. Chega mais um barco. Um bombeiro traz a cara salpicada de lama. O suor do esforço escorrega pela cara de outro. O dono do rebanho ajuda e vai-se lamentando. Alerta o filho que traz uma moto-serra para cortar a vegetação da margem do rio e passar os animais por cima do cômoro. Uma hora depois consegue-se abrir um caminho por entre a vegetação. O dono do rebanho, Júlio Costa, cajado na mão, começa a chamar os animais. Cabras e ovelhas seguem-no pela estreita elevação de terra que delimita o leito do rio. Nalgumas zonas submersa com um palmo de água. Uma ovelha escorrega e cai à água, mas os bombeiros que estavam por perto num barco conseguem apanhá-la. Júlio Costa sente um alívio por não ter perdido o rebanho que noutros tempos já chegou a ter 1.500 animais. “Graças a Deus”, vai repetindo. Nunca lhe tinha acontecido uma aflição tão grande. “Já tive cheias no campo e consegui sempre tirar os animais a tempo, mas desta vez houve uma tromba de água e houve dois rombos nas margens do rio que alagou rapidamente os terrenos”, conta. Quando o pastor deu pela situação já não havia nada a fazer. Júlio Costa, residente em Rio Maior, ainda pensou poder tirá-las no dia seguinte, prevendo a descida do caudal. Mas como tal não acontecia foi à aldeia ribeirinha de Caneiras (Santarém) para pedir ajuda a um amigo. Foi quando viu um barco dos Municipais de Santarém que estava de prevenção às cheias no Tejo e lançou o alerta.“Foram momentos de aflição, os bombeiros foram incansáveis. Ainda bem que conseguimos resolver a situação”, desabafou Júlio Costa. Que apenas perdeu duas ovelhas que, presume-se, tenham morrido por serem mais fracas e terem ficado enterradas na lama depois de terem sido pisadas pelas outras.
Bombeiros salvam ovelhas isoladas pela subida do rio Maior

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