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Golegã luta por merecer título de Capital do Cavalo

Golegã luta por merecer título de Capital do Cavalo

Veiga Maltez diz que é preciso investir na dinamização das potencialidades da vila

Corredores para trânsito de cavaleiros e charretes, ensino de equitação às crianças das escolas, parcerias com várias cidades europeias. Estas são algumas das acções que a Câmara da Golegã tem implementado e ajudam a justificar o título de Capital do Cavalo.

Edição de 31.10.2006 | Sociedade
Algumas ruas da Golegã passaram recentemente a disponibilizar uma faixa para trânsito de cavaleiros e charretes durante todo o ano. Essa é mais uma das medidas que o município tem tomado para justificar na prática o título de Capital do Cavalo. O objectivo não é fácil, mas a Golegã tem estado na vanguarda da tradição equestre e aposta francamente na promoção da sua identidade. Segundo o presidente da câmara da vila, José Veiga Maltez (PS), o caminho a seguir não pode ser outro. Caso contrário, deixa de fazer sentido catalogar o cavalo como o ex-libris da Golegã.“A Golegã sempre foi considerada a terra do cavalo. Mas dantes não se via um cavalo na rua, a não ser no S. Martinho. Hoje, quem passa pelo arneiro da feira, em qualquer época do ano, pode deparar-se com um cavalo a ser trabalhado, montado ou ensinado. Dantes só se viam cavalos atrás dos muros das casas dos criadores, agora já se vêem no centro da vila”, conta Veiga Maltez.O título de Capital do Cavalo foi atribuído oficiosamente à vila da Golegã há cerca de oito anos. Altura em que o actual executivo tomou posse. Desde então, a autarquia tem investido na preservação e justificação desse título. Exaltou o mundo equestre, criou picadeiros, centros de equitação e vias para cavaleiros e charretes. Para além de ter introduzido as aulas de equitação nas actividades de enriquecimento curricular dos alunos do ensino básico do concelho. Uma forma de dar a conhecer aos mais novos a identidade cultural da vila.“Não fazia sentido deixarmos de ensinar àqueles que nascem e crescem na Golegã, essa cultura e identidade que os diferencia de todos os outros. Apesar da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) ter cortado as comparticipações financeiras para essa actividade, a câmara vai continuar a assumir esse compromisso, com o apoio da Associação Nacional de Turismo Equestre”, garante Veiga Maltez.Empenhado em fazer frente às adversidades e fazer valer a vontade de colocar a Golegã na rota do turismo equestre europeu, o presidente da câmara assegura que a autarquia tem feito tudo o que está ao seu alcance para cumprir esse objectivo. No entanto, o caminho não tem sido fácil. Sobretudo, quando os próprios goleganenses não entendem o investimento feito em função da Capital do Cavalo: “Sinceramente, penso que esse título é preservado por uma grande vontade política da autarquia. Mas é um esforço que muitos não reconhecem”, admite Veiga Maltez.No rol das dificuldades encontradas para implantar na Golegã o espírito da Capital do Cavalo, está o facto de ainda não se terem conseguido concentrar na vila os artesãos ligados à arte equestre, que preferem manter-se nos seus locais de origem. “O artesanato precisa de ser oxigenado. Nós criámos condições para instalar na Golegã o ferrador, o alfaiate, o correeiro, e todos aqueles que se dedicam ao mundo equestre, mas essas pessoas preferiram ficar no seu sítio. E nós não podemos forçar as coisas”, explica Veiga Maltez. A solução para a divulgação do artesanato da Capital do Cavalo tem surgido no comércio local, que “pugna muito pelo mundo equestre” e continua a apostar na comercialização de produtos relacionados com o tema. “O mundo rural existe imenso na Golegã. É fácil encontrar uma casa que venda chapéus para montar ou para caçar, cerâmica dedicada ao cavalo, entre outras coisas”, diz o presidente da câmara.O que não se encontra facilmente, até porque não existe, à excepção da época da feira de S. Martinho, é a guarda a cavalo pelas ruas da Golegã. Uma vontade da autarquia local, que ficou para trás e parece não ter retorno. “Oferecemos à GNR todas as condições para dotar o quartel de cavalariças. A câmara disponibilizou o terreno, mas a guarda não tem meios para executar essa intenção. Não podemos ser fundamentalistas, e não faço disso nenhum cavalo de batalha”.Carla Paixão
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