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O néctar que anima a Feira de São Martinho

O néctar que anima a Feira de São Martinho

Golegã é também conhecida pela água-pé vendida nas adegas e tasquinhas particulares

A água-pé é uma das imagens de marca da Feira de São Martinho na Golegã. Este vinho novo de baixo teor alcoólico é fabricado geralmente por pequenos produtores e há quem aproveite a muita procura da época para vender gato por lebre.

Edição de 31.10.2006 | Sociedade
Pouco antes das seis da tarde começa o corrupio na Adega Baco, de Francisco Moita, na Golegã. Depois de uma jornada de trabalho, vai chegando a clientela com o farnel em mãos. A maioria traz sandes ou fruta dentro dos sacos de plástico bem enrolados. Ao balcão, pede-se o costume. Um copo de água-pé para acompanhar o petisco.“Estamos no tempo dela. Nesta altura as pessoas gostam de vir aqui provar a água-pé. Junta-se aqui muita gente. Então, na altura da Feira do Cavalo, não temos mãos a medir. Canta-se o fado, dança-se e fazem-se grandes arraiais. Eles trazem o petisco e eu sirvo a água-pé”, conta Francisco Moita.Há mais de vinte anos que Francisco Moita produz água-pé. Aprendeu “com os velhos” e diz que “não há segredo nenhum” para ter nas pipas um bom vinho novo. Basta seguir as regras e cumprir todos os passos a preceito: “Primeiro espremem-se as uvas. Depois deixam-se a fermentar no patamar, tira-se o mosto, e junta-se uma certa percentagem de água. Se queremos que fique mais forte, põe-se menos água. Se queremos mais fraca, põe-se mais água”.“Até estar capaz de beber passa mês e meio, mas o ideal é esperar dois meses para ficar melhor ainda”, explica Francisco Moita, enquanto serve mais um copo. A água-pé é servida directamente das pipas. Fresquinha e em pequenos copos de vidro, como manda a tradição.Mas parece que neste caso a tradição já não é o que era. Se antigamente qualquer taberna, tasca ou adega produzia e comercializava água-pé, agora isso já não acontece. Porque as gerações mais novas “não se interessam em aprender”, mas também “porque as exigências já começam a ser muitas”. “A água-pé é um vinho novo, por isso só pode ser vendida a partir de Janeiro. Só aqui na Golegã é que se pode vender durante o S. Martinho, porque nos foi feita uma concessão pelo Governador Civil”, diz Francisco Moita.A água-pé é um vinho de fabrico caseiro, com baixo teor alcoólico. Que começa a ser cobiçada mal chega o tempo das vindimas. Mas também há quem não espere pelas uvas do ano, para começar a produzir: “Até a fazem com vinhos velhos e água. Há por aí muitas diarreias à conta da água-pé”, atesta Francisco Moita, ressalvando que na sua adega “é tudo feito a preceito”. Porque tem um negócio aberto todo o ano e não gosta de enganar os clientes. Carla Paixão
O néctar que anima a Feira de São Martinho

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