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Pedreira de Trancoso causa prejuízos aos vizinhos

Pedreira de Trancoso causa prejuízos aos vizinhos

Duas centenas de pessoas exigem medidas num abaixo-assinado

A pedreira instalada no monte de Trancoso está a causar prejuízos aos agricultores vizinhos que reclamam medidas de protecção. A empresa está a construir taludes de protecção para minimizar os inconvenientes.

Edição de 31.10.2006 | Sociedade
A população de Trancoso, em São João dos Montes, está descontente com a pedreira localizada numa das extremidades da localidade. A perda de qualidade de vida e os prejuízos nas culturas agrícolas são os argumentos que apresentam contra a exploração. Delovina Dionísio olha desolada para o pomar de pêssegos e peras. “Este ano nem um quilo de fruta vendi”, lamenta-se a pequena agricultora, proprietária de um terreno junto à pedreira de Trancoso. Delovina foi uma das 200 pessoas que assinaram um abaixo-assinado entregue, no início de Setembro, à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, à Inspecção-Geral do Ambiente e à Quercus. No documento os moradores chamam a atenção para a perda de qualidade de vida sentida desde o início da exploração da pedreira pela Mota-Engil há cerca de dois anos.As poeiras provocadas pelos rebentamentos na exploração e pelo tráfego de viaturas originaram também prejuízos às culturas agrícolas existentes nos terrenos junto à pedreira.A poeira no Verão ganhava tal dimensão que Delovina Dionísio diz que se parecia com um nevoeiro cerrado. “Ninguém podia estar aqui, andava sempre com os olhos remelosos e até tive que ir ao médico”, conta a agricultora e moradora na localidade. Para além de ter perdido as culturas de Verão, as de Inverno estão também já postas em causa. A azeitona não se desenvolveu convenientemente e Delovina Dionísio considera que “nem vale a pena preocupar-me com ela”. As queixas estendem-se ao escoamento de água da pedreira que vai toda parar à propriedade de Delovina.A Adrianus Dejong, um holandês residente em Portugal há mais de 10 anos, são os deslizamentos de terra que mais o preocupam. As terras têm vindo a cair diariamente por causa da chuva e “estão já muito perto” da propriedade do holandês. Adrianus Dejong deixou de cultivar a vinha há cerca de seis anos precisamente por causa da pedreira, de menores dimensões, que já existia no local. Agora receia que as terras continuem a ceder e atinjam um pequeno casebre onde tem duas colmeias.As preocupações estendem-se aos moradores das localidades vizinhas que não gostam de ver os camiões carregados de inertes a circular nas estradas sem dimensão e preparação para os receber. Junta de FreguesiaintervémA presidente da Junta de Freguesia de São João dos Montes partilha da preocupação da população e tem vindo a intervir junto da empresa que explora a pedreira. Dos contactos já resultou a pavimentação do caminho de acesso à pedreira há cerca de um mês.Anabela Bastos adianta que até ao Verão a Mota-Engil já se comprometeu a tomar outras medidas com vista à minimização dos impactos da exploração. Entre elas está a pavimentação no interior da pedreira onde circulam as máquinas, o fecho do tapete da britadeira e a implementação de uma cortina arbórea.A questão foi levantada na última reunião de câmara de Vila Franca pela CDU que alertou para as preocupações da população. O vereador Nuno Libório questionou ainda a autarquia sobre se existia um plano de recuperação ambiental e se ele estava a ser cumprido. O vereador socialista Alberto Mesquita frisou que a Câmara de Vila Franca havia dado um parecer desfavorável à instalação da pedreira naquele local pelos impactos negativos para a população. O responsável referiu ainda que a questão dos acessos é o que mais preocupa a autarquia que aguarda por um projecto de um traçado alternativo prometido pela empresa. Sara Cardoso
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