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Temporal faz estragos na zona de Vale Manso

Temporal faz estragos na zona de Vale Manso

Edição de 31.10.2006 | Sociedade
Sexta-feira, nove da manhã. O vice-presidente da Região de Turismo do Ribatejo, Armindo Pinhão, e o novo vice-presidente da Câmara de Abrantes, Pina da Costa, ficam atolados na lama a escassos 200 metros da estalagem do Vale Manso, Martinchel, que iam visitar. Essa foi uma das consequências do temporal que no dia 25 de Outubro tornou intransitável o principal acesso ao empreendimento. E o caminho alternativo que entretanto foi improvisado não se mostrou à altura, o que originou alguns episódios caricatos que os visitantes daquela unidade tão cedo não vão esquecer.Naquela manhã no interior da estalagem, único empreendimento de cinco estrelas do distrito de Santarém, reinava a confusão. A directora, Margarida Diogo, não se cansava de ligar para o responsável da protecção civil municipal alertando-o para o facto de não terem alternativas. “A protecção civil continua a dizer que o acesso de terra batida está transitável. Mas no terreno não está”, dizia a directora, adiantando que só podia formalmente encerrar o equipamento se também lhe fosse dada uma resposta oficial de que estavam isolados.“Quem paga os prejuízos da estalagem? E a imagem com que ficamos perante os clientes?”, questionava Margarida Diogo. Com razão, já que o semblante dos clientes ia ficando cada vez mais carregado à medida que o tempo passava e não havia novidades sobre a reparação da estrada principal. “A última previsão é que a estrada fique pronta a funcionar por volta das 17h00”.Tempo demais para quem estava ali fechado há uma semana e tinha programado sair após o almoço. Como o grupo de 18 funcionários da seguradora Império/Bonança, em formação desde o domingo anterior. “Esta situação é inconcebível”, afirmava Belarmino Vieira, consultor responsável pela formação, adiantando no entanto que não será por aquele contratempo que deixará de voltar ao empreendimento, como turista. Opinião contrária à dos directores da Império/Bonança, que ao balcão da recepção diziam nunca mais marcar ali serviços. Os directores, que tinham vindo expressamente de Lisboa para encerrar o curso de formação, tiveram de deixar os carros na estrada principal e ser transportados pela carrinha da estalagem, que com muita patinadela de pneus conseguiu descer a encosta lamacenta.“O pior é a subida” referiam os funcionários. A recepcionista Isabel sabe bem o que diz. Na tarde do dia anterior tentou fazer o caminho e ficou com o radiador furado. Uma colega, grávida, esteve duas horas atolada na lama. Foram ambas salvas pelos Bombeiros Municipais de Abrantes.“Desde as 10h30 de quarta-feira que estou à espera de uma solução por parte da protecção civil municipal”, refere a directora da estalagem, adiantando que bastava colocar umas carradas de brita por cima da lama para o acesso de terra batida ficar minimamente operacional. “Mas nem isso eles (protecção civil) querem fazer”.Alguns membros do grupo de hóspedes da Sonae, que tinha ali uma reunião, optaram por deixar o automóvel estacionado na estrada de terra batida, antes da fatídica descida, e fazer cerca de 300 metros a pé, pelo meio da lama. “É caricato ter hóspedes a chegar a pé e enlameados”, queixa-se Margarida Diogo.O pior aconteceu após o almoço, com 18 pessoas e 15 automóveis a quererem sair do local. Em desespero de causa a directora ligou para o comandante distrital de bombeiros e protecção civil, Joaquim Chambel, que em minutos resolveu o que em horas a directora não tinha conseguido da protecção civil municipal de Abrantes. Dois jipes dos bombeiros de Abrantes chegaram e rebocaram, com alguma dificuldade, os veículos dos clientes da estalagem.Enquanto decorria o socorro às pessoas dois casais chegavam pelo acesso de terra batida. Tinham reservas para a estalagem mas, em face do que assistiam, acabaram por desistir. Margarida Diogo garante que não irá arcar com os prejuízos. E já enviou ao município de Abrantes a factura do cancelamento de seis noites. São mais de mil euros. Margarida Cabeleira
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