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26/03/2017
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Medalha de ouro da cidade de Santarém para Salgueiro Maia
Capitão de Abril homenageado a título póstumo
Enquanto foi vivo o militar nunca aceitou a distinção e a decisão da câmara foi tomada por unanimidade após consulta à viúva.
Edição de 11.04.2007 | Sociedade
O capitão de Abril, Salgueiro Maia, vai ser homenageado a título póstumo pela Câmara de Santarém com a atribuição da medalha de ouro do concelho ao homem que conduziu uma coluna militar da Escola Prática de Cavalaria até Lisboa para derrubar o regime ditatorial. A proposta de distinção foi aprovada por unanimidade na última reunião do executivo camarário, após a viúva do capitão, Natércia Maia, ter concordado com a intenção do município. A mais importante condecoração do concelho vai ser entregue no dia 25 de Abril num cerimónia comemorativa do dia da liberdade em Portugal. Para o presidente da câmara, Moita Flores (PSD) a distinção constitui “um momento histórico”, realçando ter muita honra em pertencer a um executivo que aprovou a homenagem. O vereador do PS, Rui Barreiro, recordou que em vivo Salgueiro Maia nunca aceitou tal distinção, considerando que ela “é de elementar justiça” recordando que o Salgueiro Maia tem sido distinguido outras vezes, dando o exemplo da atribuição do seu nome à nova ponte sobre o Tejo entre a cidade e Almeirim. A vereadora da CDU, Luísa Mesquita, disse ser muito gratificante a aprovação por unanimidade e por se sentir que com esta atitude se possa recordar o capitão e a sua importância na revolução do 25 de Abril de 1974. Fernando José Salgueiro Maia nasceu no dia 1 de Julho de 1944 em Castelo de Vide. O pai trabalhava na CP (Comboios de Portugal) e devido aos seus compromissos profissionais, Salgueiro Maia passa por Coruche, Tomar e Leiria. Estudou no colégio Nun'Alvares em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria, antes de ingressar na Academia Militar. Em 1967 abandonou a academia e ingressa na Escola Prática de Cavalaria (EPC) em Santarém, cidade onde conheceu a sua esposa com quem casou em 1970. Ficou célebre o discurso do capitão na madrugada de 25 de Abril de 1974 na parada da EPC, dirigindo-se aos soldados: "Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegamos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui". O capitão morre em 1992 vítima de uma doença cancerosa.
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