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27/06/2017
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Empresa de serviços rápidos de costura integrou estagiária deficiente e não se arrepende
Trabalha ao ritmo das outras funcionárias da casa com perfeição
Ana Catarina, aluna da Cerci de Azambuja, está a fazer estágio do curso profissional numa loja do centro comercial de Vila Franca. O empresário que a acolheu está satisfeito com a experiência e garante que temos costureira.
Edição de 07.11.2007 | Sociedade
Chega ao local de trabalho antes da hora marcada, trabalha ao ritmo das costureiras da casa e atende ao balcão como qualquer outra funcionária para receber os trabalhos que os clientes deixam na loja de Vila Franca de Xira. Chama-se Ana Catarina Duarte, tem 18 anos e é formanda da Cerci Flor da Vida, uma cooperativa de ensino e educação especial que promove integração de pessoas com deficiência e inadaptadas, sedeada em Azambuja.A empresa de serviços rápidos de costura Corte & Cose, que funciona no rés-do-chão do Vila Franca Centro, foi contactada pela Cerci e decidiu ajudar a inseri-la na vida activa no âmbito do estágio do curso profissional de costura. Vasco Almeida, sócio-gerente da empresa não podia estar mais satisfeito. O estágio só termina no final do ano, mas se tivesse que decidir já hoje sobre a contratação Vasco Almeida garante que não hesitaria em integrá-la na equipa composta por três costureiras profissionais.Uma das colaboradoras da casa teve um mês de férias na altura da chegada da formanda que teve assim um baptismo de fogo. “Temos aqui um ritmo de trabalho que a vai preparar bem para enfrentar o mercado de trabalho”, assegura o empresário que acredita que o problema das pessoas como a estagiária é a “falta de estímulo”.São as colaboradoras mais antigas da empresa que fazem a triagem do trabalho para a jovem costureira. A futura profissional de costura não se limita a fazer bainhas. Também coloca fechos, um tipo de trabalho mais complexo que implica um bom conhecimento da técnica. “No processo de escolha de funcionários pedimos sempre que coloquem fechos porque é uma coisa que nem toda a gente faz. Percebe-se quem está à vontade com a máquina”, ilustra Vasco Almeida que assegura que o trabalho da aprendiz sai perfeito. O mundo da costura não tem limites e Vasco Almeida confirma que a empresa aceita trabalhos com alguma complexidade. “Não é só o corriqueiro”.O empresário considera que a iniciativa é boa para as duas partes, mas especialmente para a formanda que contacta com o mercado de trabalho. Antes de aceitar a proposta de parceria Vasco Almeida foi informar-se sobre o trabalho da Cerci de Azambuja e visitou as instalações. Ficou satisfeito com o que viu. Os estágios são realizados no âmbito do programa “Constelação” promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. A formanda recebe uma bolsa que ronda os 200 euros e a entidade patronal não tem qualquer tipo de encargo. Ana Catarina Duarte, a estagiar na empresa desde Junho, apanha o autocarro todas as manhãs em Aldeia Gavinha, Alenquer. Apeia-se em Vila Franca de Xira, mesmo junto ao seu local de trabalho. É por isso que é a primeira a chegar. Mas levantar-se cedo não a perturba. Cumpre o horário entre as 10h00 e as 18h00. “Tem apresentação e é simpática”, avalia o empresário. Ana Duarte vai ouvindo as explicações do “patrão” de olhos postos na máquina de costura. Desde que trabalha na empresa esmera-se no visual. Ganhou gosto pela arte ainda em menina. Aprendeu a costurar com uma vizinha de 60 anos que a iniciou nas artes dos bordados e costura. Quando se pergunta se gostaria de ficar Ana Duarte responde com um sorriso rasgado. Os olhos envergonham-se por detrás dos óculos e direccionam-se para a peça de costura que tem em mãos.
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