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Pressão sobre cereais vai baixar com “segunda geração” de matéria-prima para biocombustíveis

Edição de 07.02.2008 | Economia
O secretário de Estado Adjunto da Agricultura assegurou esta quinta-feira que a “segunda geração” de matérias-primas para produção de biocombustíveis retirará a pressão sobre os cereais da cadeia alimentar, que inflaciona o preço dos bens de consumo humano.Luís Vieira, que presidiu à abertura do I Colóquio de Engordadores da Carne de Bovino, marcado pela preocupação com os efeitos que os elevados custos de produção estão a ter no sector, garantiu que “há uma orientação” no sentido de se trabalhar na utilização de outro tipo de matérias-primas, nomeadamente celulósicas, para a produção de biocombustíveis.Reconhecendo a necessidade de “cuidados”, porque a pressão maior se está a reflectir na cadeia alimentar e na alimentação humana, com implicações nomeadamente no custo de bens essenciais como o leite e o pão, Luís Vieira frisou ser preciso procurar “outro caminho”. Como exemplo da necessidade de alternativas para a produção de biocombustíveis, deu o caso de uma fábrica de bioetanol construída em Espanha, com capacidade para transformar 170 mil toneladas de milho, e que está parada “porque o preço não é atractivo”.Luís Vieira admitiu ainda que as regras mais apertadas da União Europeia, em relação à liberação para o mercado de variedades de organismos geneticamente modificados, não conseguem impedir a entrada de carne de animais de países que introduzem na sua alimentação variedades não reconhecidas na Europa. “É preciso encontrar soluções mais expeditas, sempre dentro dos princípios da precaução, para não deixar os produtores europeus desguarnecidos face a uma concorrência por vezes desleal”, afirmou.Frisando que o mercado nacional tem revelado uma tendência de redução do consumo de carnes vermelhas a favor das carnes brancas, Luís Vieira defendeu uma alteração estrutural na forma como é produzida a carne em Portugal. Como caminho apontou uma redução da produção intensiva e uma aposta na produção extensiva, integrada, com base nas raças autóctones, indo ao encontro da exigência de qualidade cada vez maior dos consumidores.Luís Vieira disse acreditar no futuro de um sector que “tem uma inegável importância” para a economia nacional, lembrando os 450 milhões de euros de volume de negócio anual e as 64.000 explorações existentes no país, num total de 1,3 milhões de bovinos no continente. O secretário de Estado prometeu ainda, para “muito curto prazo”, o novo diploma sobre o licenciamento das explorações, que prevê um período de adaptação gradual às novas regras.Apontou ainda, para Março, a abertura das candidaturas a fundos comunitários, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural, prometendo que o sector, embora não tenha sido considerado estratégico, é “prioritário” e não terá falta de apoios.

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