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Aves aquáticas podem interferir nas aterragens e descolagens de aviões em Alcochete

Análise do LNEC refere que os animais podem atingir corredor de aterragem
Edição de 07.02.2008 | Sociedade
As aves aquáticas poderão atravessar “com frequência” os corredores de aterragem e descolagem de aviões do aeroporto em Alcochete, devido às deslocações entre as áreas de refúgio e as áreas de alimentação, segundo a análise ambiental estratégica divulgada a semana passada.A análise ambiental estratégica, coordenada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), refere que “as aves poderão atravessar com frequência os corredores de aterragem e descolagem de aviões no Campo de Tiro de Alcochete (CTA) em Janeiro-Março, devido às deslocações diárias entre áreas de refúgio na Reserva Natural do Estuário do Tejo e áreas de alimentação nos arrozais envolventes”. O estudo diz que a construção do novo aeroporto no CTA implicará a destruição de um local de concentração de aves aquáticas, “enquanto oito terão possivelmente de ser geridos de forma a reduzir a utilização por aves aquáticas, por razões de segurança aeronáutica”.Por oposição, na Ota “não será destruído nenhum local de concentração de aves e apenas um açude poderá ter que ser gerido para reduzir a utilização por aves aquáticas”.Os técnicos do Central Science Laboratory que colaboram na elaboração do estudo do LNEC sobre o novo aeroporto, identificaram, entre Agosto e Outubro de 2007, dez locais com mais de 100 aves aquáticas (Açudes do Buraco, Vale Migalhas, Prudência-Norte, Prudência-Sul, Areeiro, Carro Quebrado, Aranha, Rola e Pulgas, e Arrozais da Mata do Duque), enquanto na Ota se identificaram apenas três (Quinta da Alegria, e ETARs da fábrica de tomate da Sugal e da Azambuja).Uma das espécies que poderá sofrer “maior efeito negativo” é o maçarico-de- bico-direito, devido “ao elevado número de indivíduos envolvidos, à sua utilização de arrozais na envolvente do CTA e à potencial interferência do tráfego aéreo nos seus movimentos regulares”, podendo as concentrações desta espécie envolver “dezenas de milhar de indivíduos durante os períodos de passagem pré-nupcial em Janeiro-Março, quando na região podem estar presentes 45.000 indivíduos”. No entanto, além dos maçaricos-de-bico-direito, na envolvente das localizações do novo aeroporto na Ota e no CTA inventariaram-se 40 espécies de conservação prioritária. Para 11 destas espécies os impactes do novo aeroporto no CTA devem ser superiores aos da Ota, acontecendo o contrário para 9 espécies. O estudo refere também que “uma vez que muitas das espécies de aves potencialmente mais afectadas são migradoras, o novo aeroporto poderá ter reflexos negativos sobre áreas naturais a muitos milhares de quilómetros de distância”, pelo que se conclui que “o CTA é uma localização mais desvantajosa que a Ota na óptica da conservação da natureza e da biodiversidade”.“Na zona do CTA, os efeito negativos sobre a biodiversidade ao nível do local da implantação são de elevada relevância, dado serem inevitáveis, irreversíveis e de elevada magnitude”, conclui o documento, que sublinha que a construção do novo aeroporto na zona do CTA deve ser acompanhada pela constituição de uma zona tampão em volta da Zona de Protecção Especial (ZPE)/Sítios de Importância Comunitária (SIC) do Estuário do Tejo, incluindo as zonas de maior valor ecológico da sua envolvente”.

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