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O encenador que foi trabalhar para as OGMA para fugir à guerra

Edição de 14.02.2008 | Entrevista
Aproximou-se do teatro quando tinha seis anos. Para ajudar a irmã a decorar o papel numa récita. “Ainda mal sabia ler”, recorda Norberto de Sousa, 63 anos, o autor e encenador do Grupo de Teatro da Casa do Povo de Aveiras de Cima, concelho de Azambuja.O bicho do teatro nunca mais o largou. Fugia dos desfiles de Carnaval para escrever rábulas que apresentava por essa altura. Ainda hoje os textos são tema de conversa, mas Norberto de Sousa já perdeu o rasto os escritos. Integrou o extinto Grupo Dramático Cultural Aveiras de Cima que funcionava no velho cinema. Até que o convidaram em 1994 para integrar o grupo de teatro da Casa do Povo de Aveiras de Cima. Escreveu todas as peças que encenou com o grupo. Até uma cratera no alcatrão que existiu durante dois anos numa das praças da vila serviu de inspiração. O espectáculo chamava-se “O Buraco”. “Até parece mentira” e “Aveiras sempre Aveiras” são outros dos trabalhos com a sua assinatura. Apresentou “A Vendedeira da CEE” no metro de Lisboa em carruagens a abarrotar de gente a convite do Inatel. Chegou a arriscar encenar um autor em “O Auto dos Animais”, mas alterou o texto totalmente. “Fiz uma modificação ao gosto das pessoas. Achei que o lobo estava muito sozinho na toca e arranjei uma loba”, justifica. Começou a fazer teatro no antigo cinema da vila. Em época de meios rudimentares. Na Casa do Povo de Aveiras só agora o grupo conseguiu colocar projectores novos. “Sabe que projectores utilizávamos? Aqueles que se usam nas obras. Porque são mais baratos”, diz Norberto de Sousa que se orgulha que poder finalmente pedir um círculo de luz para dar brilho à actriz principal. Começou a trabalhar aos 14 anos numa oficina em Aveiras de Cima e depois foi para as Oficinas de Manutenção Aeronáutica em Alverca. Para fugir à guerra do Ultramar. Quem estivesse em Alverca escapava-se à guerra colonial. “Era voz corrente. Foi uma lei que o Governo lançou. Uma forma de conseguir muita mão-de-obra, muito barata, durante determinados anos”.Foi uma decisão que tomou cedo. Não ser combatente. A fuga habilidosa coadunou-se com as ideias pacifistas que tinha. “Pode ser interpretado como uma atitude cobarde, mas eu também não queria ser herói”, declara. Também foi jovem que decidiu não seguir a profissão dos pais: ser agricultor. Por isso tomou outro rumo profissional. A soldadura foi uma verdadeira paixão que exerceu nas oficinas de Alverca. Além do teatro.

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