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Prolongamento de horários escolares não resolveu nada

Edição de 14.02.2008 | O Mirante dos Leitores
Tenho 28 anos, sou Educadora Social e trabalhei quatro anos e meio como coordenadora de um Centro de Actividades de Tempos Livres. Como muitos outros profissionais ligados a esta área, estou desempregada pelo facto do estabelecimento onde trabalhava ter sido forçado a encerrar as portas devido à drástica diminuição do número de crianças inscritas. De facto, o prolongamento dos horários escolares não veio resolver nenhuma situação – os pais ficam de mãos atadas a partir das 17.30h e durante as férias escolares; as crianças ficam stressadas por passarem 8 horas por dia dentro do espaço escolar e os ATL vão fechando, engrossando assim a já grande fatia de desempregados.Não quero parecer pessimista, mas com tantos ATL a encerrar, as hipóteses de encontrar um trabalho nesta área vão diminuindo. Por outro lado, temos a difícil tarefa de tentar convencer um empregador, numa qualquer entrevista, que um licenciado também consegue e está disposto a trabalhar numa loja, num supermercado ou num escritório, mesmo recebendo uma remuneração inferior àquela que as suas habilitações lhe poderiam proporcionar (pois, porque é preciso pagar as contas e os juros do crédito à habitação). Assim, e enquanto esperamos, vamos coleccionando cursos e programas ocupacionais do Centro de Emprego, desejando que se abra uma janela neste país onde muitas portas se estão a fechar.Patrícia Luís

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