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Assaltante que matou funcionária de bomba de gasolina arrisca mais de 16 anos de prisão

Assaltante que matou funcionária de bomba de gasolina arrisca mais de 16 anos de prisão

Família e amigos esperam que seja feita justiça e querem assistir ao julgamento

Começa quinta-feira o julgamento dos três homens que fizeram o assalto que culminou com a morte de Eduarda Ferreira no posto de combustível de Benavente.

Edição de 14.02.2008 | Sociedade
Apesar de nenhum dos homens estar acusado do crime de homicídio pela morte da funcionária do posto de combustível, em Benavente, os três arguidos arriscam uma pena que pode ser superior a 16 anos de prisão porque respondem em co-autoria pela prática de vários crimes de roubo agravado. Estão ainda acusados de furto qualificado, resistência e coacção sobre funcionário e detenção de arma proibida.A família de Eduarda Ferreira, morta na noite de Sexta-Feira Santa do ano passado em Benavente, ainda não recuperou da dor e espera que seja feita justiça. O MIRANTE apurou que vários familiares e amigos tencionam assistir ao julgamento que começa esta quinta-feira no Tribunal de Benavente. “Eu quero ver a cara desses assassinos. Eles merecem uma pena pesada”, revela uma amiga da vítima. O Ministério Público não tem dúvidas de que Eduarda foi morta pelos chumbos da caçadeira que um dos arguidos empunhava quando tentava fugir e que usou a mulher como escudo. A acusação sustenta que o jovem de 21 anos pretendia atingir dois militares da GNR. Por não ter sido deliberada a intenção de matar, não há acusação de homicídio mas sim de roubo agravado. Dois especialistas em direito penal, a quem O MIRANTE solicitou a interpretação da acusação, consideram “aceitável” o entendimento do Ministério Público e frisam que a pena por roubo agravado (punível com pena de 8 a 16 anos de prisão) é superior à de homicídio por negligência punido com pena até cinco anos de prisão. Recorde-se que na noite de 6 de Abril do ano passado, pelas 20h55, quando Eduarda fechava a loja e tinha a filha à espera, três homens com gorros a tapar a cara e caçadeiras em punho exigiram a abertura da porta. Depois amarraram as duas mulheres na casa de banho com recurso a braçadeiras de plástico, retiraram um anel de ouro de Eduarda e apoderaram-se do dinheiro que havia na caixa e do telemóvel e documentos da funcionária. O dinheiro roubado não atingiu os 200 euros.Entretanto chegou um jipe da GNR que foi alertada por um popular e rapidamente se deslocou ao local. Um dos assaltantes foi buscar a filha de Eduarda para usar como escudo, mas a mãe pediu que a levassem a ela e acabou por morrer minutos depois. A filha foi levada mais tarde por outro assaltante que ficou no local depois dos colegas terem arrancado de carro. Ao passar a vedação e quando levava a jovem agarrada por um braço, o homem de 39 anos perdeu o controlo e a vítima conseguiu fugir para o jipe da GNR. Alexandra gritou pela mãe caída de morte uns metros à frente.Mesmo depois de ouvir os disparos feitos por um militar da GNR, o arguido não se rendeu e fugiu a pé. Viria a ser apanhado pelos colegas mais à frente depois de os contactar por telemóvel. O carro usado, uma carrinha Audi A4, com mais de 10 anos, era propriedade de um dos assaltantes, um homem de 30 anos residente no concelho de Alenquer.Os três assaltantes foram detidos oito dias depois, numa operação conjunta da GNR de Samora Correia e Benavente, no Porto Alto. Regressavam duma garraiada e não ofereceram resistência. Traziam no carro as roupas usadas no assalto. Na casa de um deles, em Alhandra, a PJ encontrou um arsenal de armamento ilegal e vários artigos que se suspeita serem provenientes de furtos. Para além do assalto de Benavente, os arguidos respondem por assaltos a outros postos de combustível em Mértola e Ferreira do Alentejo. O assalto à mão armada à Herdade de Santo Isidro em Samora Correia, onde dispararam vários tiros, e sequestraram dois homens, também está incluído neste processo.Os três arguidos, presos desde Abril de 2007, tinham a paixão pelos toiros e eram presença habitual nas largadas de toiros de Benavente, Samora Correia, Vila Franca de Xira e por toda a região. Um dos arguidos é apontado como um dos melhores recortadores na frente dos cornos dos toiros. Tinha sido colhido com gravidade meses antes, mas recuperou das lesões graves no Hospital de Vila Franca. Eduarda Ferreira, 43 anos, deixou o marido e duas filhas. O anel que lhe roubaram foi oferecido por um dos assaltantes à companheira.
Assaltante que matou funcionária de bomba de gasolina arrisca mais de 16 anos de prisão

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