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Dádiva de sangue reúne uma centena de pessoas em Vialonga

Recolha rendeu mais de cinquenta litros de sangue

Mais de uma centena de pessoas responderam no sábado ao apelo do Grupo de Dadores de Sangue de Vialonga. São quase sempre experiências com familiares que um dia precisaram de ajuda que levam os dadores a estender o braço.

Edição de 14.02.2008 | Sociedade
Ainda não são nove da manhã de sábado e já se concentram algumas pessoas à entrada do salão paroquial da igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Vialonga, enquanto aguardam pelo início de mais uma recolha de sangue que o Grupo de Dadores de Sangue de Vialonga realiza, pelo menos, duas vezes por ano.Lá dentro já está tudo preparado para receber os dadores. Um pequeno centro médico foi improvisado no espaço amplo. Macas, agulhas, sacos e aparelhos. As pessoas vão entrando. O primeiro passo é preencher a ficha de inscrição. Depois só têm que aguardar a sua vez. Do lado direito está montado um mini-bar com sumos, água, bolachas e sandes para recuperar energias depois da dádiva.No largo da igreja, junto à entrada do salão paroquial, um grelhador colocado ali propositadamente vai assando as febras que vão aconchegando o estômago dos voluntários. Com um copo de vinho na mão, homens e mulheres vão conversando à volta do lume enquanto aguardam por um naco de carne bem assado.Sara Conceição, 24 anos, aguarda a sua vez de dar sangue. É a primeira vez e não esconde a ansiedade que lhe causa a espera. “Não gosto nada de agulhas”, explica. O marido participa regularmente nestas iniciativa e Sara sempre teve vontade de o acompanhar mas à última hora perdia a coragem. Foi o facto da mãe ter estado hospitalizada recentemente que a fez enfrentar todos os seus medos. Decidiu participar na dádiva de sangue do Grupo de Vialonga. “Tenho consciência que se a minha não tivesse estado doente provavelmente ainda não tinha ganho coragem para dar sangue. Mas, aqui estou e espero que corra tudo bem”, afirma.Ao contrário de Sara Conceição, Domingos Rocha, 64 anos, não tem nenhum medo de agulhas. É dador de sangue há mais de 30 anos e participa em todas as dádivas promovidas pelo grupo de dadores de Vialonga, associação da qual faz parte desde a sua fundação, em 1977.Domingos Rocha conta que em jovem tinha muitos problemas de saúde e sangrava muito pelo nariz. Sobretudo, enquanto dormia. Os médicos aconselharam-no a dar sangue e a verdade é que desde essa altura nunca mais teve problemas com hemorragias. Na opinião do reformado estas iniciativas nunca são demais e aponta o dedo à falta de informação sobre os benefícios das dádivas de sangue junto dos mais jovens. “É normal que os mais novos tenham medo de dar sangue. As agulhas assustam. Mas, se implementarem acções de formação e consciencialização podemos mudar os hábitos e a mentalidade dos mais novos. Qualquer um de nós pode vir a precisar de sangue”, explica.Segundo o presidente do grupo, Francisco Bordalo, os dadores de sangue de Vialonga têm cerca de 400 dadores inscritos e conseguem mobilizar cerca de uma centena e meia de participantes por actividade. O que se traduz em cerca de 50 a 60 litros de sangue recolhidos. “Conseguir recrutar mais de 100 pessoas não é tarefa fácil. É uma grande satisfação alcançar estes números”, garante.Também Francisco Bordalo dá sangue há mais de 30 anos. Antigamente ia directamente aos hospitais onde os enfermeiros recolhiam o sangue. Entretanto, com o aparecimento do Instituto Português do Sangue, que começou a fazer as recolhas, surgiu a oportunidade de criar o grupo de Vialonga. A ideia foi bem aceite pela comunidade que foi aderindo aos apelos.Apesar de nunca nenhum membro da sua família ter precisado de transfusões de sangue Francisco Bordalo pretende continuar a praticar uma acção que considera ser, quase, um dever cívico. “Se todos déssemos sangue, pelo menos uma vez por ano, não existiria falta de sangue nos hospitais portugueses como acontece actualmente”, alerta.

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