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Misericórdias queixam-se de falta de diálogo por parte do Governo

Misericórdias queixam-se de falta de diálogo por parte do Governo

Cerca de duas dezenas de provedores reuniram-se na Golegã a convite do PSD
Edição de 14.02.2008 | Sociedade
A alteração do novo modelo de financiamento das misericórdias, a pouca importância demonstrada, nos últimos anos, pelo Governo relativamente à terceira idade e a possível entrada de novas leis em vigor com aplicação imediata foram algumas das queixas apresentadas pelas cerca de duas dezenas de provedores do distrito de Santarém presentes na reunião organizada pela comissão política distrital do PSD.Na sessão que se realizou, sábado, 9 de Fevereiro, na sede do secretariado regional da União das Misericórdias, na Golegã, esteve presente o deputado Vasco Cunha que ouviu os problemas que se passam diariamente nas misericórdias do distrito. Os provedores foram unânimes ao contestarem a forma como o Governo decide implementar novas reformas e manda publicar leis com aplicações imediatas sem dialogar com as instituições.“As misericórdias são as primeiras a quererem prestar serviço de qualidade aos seus utentes mas é necessário tempo para nos adaptarmos às novas leis. Temos que fazer, e queremos fazer, as alterações estruturais que nos pedem, mas tudo leva o seu tempo”, afirma o actual presidente do secretariado regional das Misericórdias do distrito de Santarém e provedor da Santa Casa da Golegã, Martins Lopes. Também Luísa Pato, membro da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo, defende que a lei deve aproximar-se da realidade ao invés de se impor à realidade. “Por vezes é difícil adequar a organização das instituições de solidariedade social a uma lei que é elaborada e muito penalizadora para as instituições”, refere.Actualmente, as instituições de solidariedade social, nomeadamente as Misericórdias, são comparticipadas pelo Estado que atribui um valor por utente mediante um protocolo estabelecido entre as partes. Prevê-se que esta regra seja alterada passando o Governo a comparticipar financeiramente mediante o rendimento de cada utente.O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Benavente, Joaquim Jacinto, concorda que se deve apostar cada vez mais num serviço de qualidade mas refere que o Estado deve ser tolerante e dar um período de adaptação às instituições. “A Santa Casa de Benavente tem uma cozinha nova, construída há dois anos que, devido à nova legislação, vai ter que sofrer alterações. Não temos dinheiro imediatamente para comportar esta situação. Tudo leva o seu tempo. Precisamos de um pouco de compreensão por parte dos nossos governantes, o que não está a acontecer”, afirma.Joaquim Jacinto acredita que uma das formas de melhorar o funcionamento destas instituições de solidariedade social é a implementação - que já vai acontecendo – do apoio domiciliário a idosos e acamados. “Fazer a higiene e levar comida diariamente é fundamental uma vez que evita que muitos idosos tenham que ficar na Misericórdia, desocupando espaço para aqueles que realmente precisam”, afirma.Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal, Anacleto Baptista, o sistema ideal das misericórdias deveria ser, à semelhança do que acontece em outros países, o Estado pagar às misericórdias para desempenhar o seu serviço. “Em Florença – Itália – o INEM, serviço de doentes e ambulâncias é tudo da responsabilidade da Misericórdia. Um serviço pago pelo Estado”, explica. E acrescenta: “Se não evoluirmos para este sistema, dentro de pouco tempo muitas misericórdias fecham portas. E dentro de alguns anos não haverá corpos sociais candidatos às instituições salvo se forem devidamente remunerados”.Carlos Faria, provedor da Santa Casa de Torres Novas, lamenta que o actual Governo dê prioridade a outros sectores que não o da terceira idade e a construção de lares e valências para idosos. “Está definido que, até 2010, o país tem que ter cobertura no que diz respeito a infantários e jardins-de-infância. Como o dinheiro é curto têm que cortar em algum lado e, neste caso, será na solidariedade à terceira idade que tanto precisa”, lamenta.
Misericórdias queixam-se de falta de diálogo por parte do Governo

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