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A crise também já chegou ao Clube Agrícola Chamusquense

A crise também já chegou ao Clube Agrícola Chamusquense

Com poucos sócios pagantes e sem dinheiro a associação vive dias difíceis
Edição de 21.02.2008 | Sociedade
Nas fotografias mais antigas da Chamusca, que hoje servem para imprimir bilhetes-postais, um dos edifícios mais emblemáticos da vila é a sede do Clube Agricola Chamusquense, assim denominado por ser o local de encontro e convívio das famílias abastadas da vila na sua grande maioria donos e senhores da terra.Durante muitos anos, antes e depois do 25 de Abril, era ali que os ricos da terra se reuniam para fazerem tudo aquilo que os pobres e remediados também faziam noutras colectividades da vila igualmente em centros de encontro e de convívio.Com a revolução, e com a transformação da sociedade portuguesa, o Clube Agrícola Chamusquense transformou-se numa colectividade normal e está a passar pelos mesmos problemas que todas as outras que sofrem de falta de sócios e de dirigentes que a dinamizem e criem condições para o êxito associativo. No passado mês de Dezembro a EDP cortou a luz do edifício e o Clube esteve alguns dias de portas fechadas. Para agravar a situação a actual direcção está demissionária e as chaves foram entregues em mão ao presidente da assembleia-geral.A situação difícil em que o Clube se encontra é fruto do abandono dos seus associados mais carismáticos e decorre desde há cerca de dez anos, quando Augusto Neves, o ultimo presidente ligado às famílias mais tradicionais da vila, terminou o seu mandato e deixou de frequentar a agremiação.À falta de interlocutores que quisessem falar sobre o futuro da associação, O MIRANTE foi conversar com Augusto Neves, que desabafou o seu desgosto por ver a falta de empenhamento dos chamusquenses por uma instituição tão emblemática do que foi o passado da vila e das suas gentes.Para um dos associados, que não quis dar a cara nesta conversa, já há muito tempo que o Clube vinha definhando principalmente quando a renovação dos sócios só acontecia porque ali se jogava, forte e feio, à batota.Há cerca de uma dezena de anos, numa altura em que a colectividade passava por uma crise também muito grave, Augusto Neves deitou-lhe a mão e conseguiu mantê-la. “Com a ajuda de alguns sócios que ainda viam o Clube como se fosse seu”. Na altura em que esteve à frente do Clube Agrícola Chamusquense, Augusto Neves conseguiu mobilizar alguns sócios antigos e pagou dívidas de vulto. “Só à senhora que tomava conta do bar paguei mais de mil e quinhentos euros, paguei a recuperação do vitral da fachada da sede e fiz obras de vulto, como o arranjo e equipamento de um salão de bilhar. E quando saí deixei em caixa cerca de dois mil euros, que entretanto foram desbaratados pelas direcções que me sucederam. Recentemente fui contactado para tirar a colectividade do buraco em que se encontra, mas recusei porque  o Clube já não tem salvação, não há respeito por ninguém, nem pelo trabalho efectuado por muitos sócios antigos”, afirmou.Augusto Neves esteve também envolvido numa luta para que o edifício fosse classificado como de valor concelhio. “Mesmo contra o aval da câmara consegui que na altura o Instituto Português do Património Arquitectónico procedesse à classificação do edifício. Nem mesmo assim consegui mobilizar os sócios”, desabafou.Segundo o antigo dirigente, nesta altura os sócios pagantes são poucos, não há uma direcção. A colectividade é dirigida por uma ou duas pessoas que não conseguem verbas para os gastos do dia a dia. “São pessoas que fazem o que podem, mas podem pouco, porque o dinheiro que entra não chega para as despesa”, garantiu.
A crise também já chegou ao Clube Agrícola Chamusquense

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