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Há mais um padre cantor na região

Ricardo Mónica lança CD e diz que não quer ser artista

No dia 1 de Março o padre das paróquias de Várzea, Moçarria e Abitureiras, Santarém, lança um CD de orações populares cantadas pelos antigos trabalhadores agrícolas cujos lucros das vendas são para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

Edição de 21.02.2008 | Sociedade
Há mais um padre cantor na região. Ricardo Mónica, o pároco de Várzea, Moçarria e Abitureiras (Santarém), apresenta no dia 1 de Março, em Alpiarça, o seu primeiro CD de orações populares que eram cantadas pelos trabalhadores agrícolas. O padre, natural de Almeirim, é um interessado pela etnografia. Em pequeno gostava de andar no campo com os trabalhadores da quinta dos seus pais. Aprendeu algumas canções e agora, para que a tradição não se perdesse, resolveu gravá-las e oferecer os lucros da venda do trabalho à Liga Portuguesa contra o Cancro. Ricardo não quer ser mais um cantor, nem sequer um concorrente de outros padres artistas da canção. Como o padre Borga, pároco no Entroncamento. “São coisas diferentes. Não quero ser um artista. O meu objectivo é que as orações antigas que eram cantadas no campo não se percam”. O trabalho resulta de uma pesquisa e de algumas orações cantadas dos anos 20 que tinham sido registadas pelo apaixonado pela etnografia de Almeirim, Álvaro Pina Rodrigues, já falecido. No CD são utilizados os instrumentos tradicionais da época: ferrinhos, cana e bandolim. “O padre Borga é mais um cantor de espectáculos e o meu trabalho é mais para preservação da memória de um povo”, diz Ricardo Mónica que é padre há quatro anos e tem consciência que actualmente o facto de um CD ter na capa a designação “padre” é uma forma de marketing que ajuda a vender. “Canto por prazer e para me divertir, não quero fazer disto uma carreira”, sublinha, realçando que o que quer é ser padre a tempo inteiro e que as canções são um passatempo que podem servir de evangelização.No CD há orações que são acompanhadas por um grupo de amigos, como as “excelências” que ainda hoje há muitos católicos que as sabem cantar. Ricardo aparece em fotografias na capa do CD vestido com o fato de dançarino do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, do qual faz parte. Apesar da veia artística, o pároco confessa que quando andava no seminário não o deixavam cantar porque dava a entoação do fado. É um apaixonado por este género musical e algumas vezes vai a Lisboa cantar em casas de fado. Houve duas que já lhe propuseram contratos para fadista residente, mas declinou porque quer ser livre e não estar sujeito àquilo que lhe querem impor.O padre acredita que deve haver muitas pessoas que não gostam que agora seja também conhecido como cantor, porque, realça, “só conseguem ver a evangelização por um lado, são pessoas que entendem que os padres são só para os que estão dentro da igreja”. Ricardo Mónica, padre há quatro anos, confessa que falou informalmente com o bispo de Santarém sobre este projecto e que foi o próprio D. Manuel Pelino Domingues que o incentivou a continuar o trabalho de recolha de orações antigas. O CD foi gravado no auditório da Biblioteca Municipal de Almeirim e vai custar 15 euros. Ricardo já está a preparar um segundo trabalho, sob a orientação de José Cid, com o mesmo tipo de canções mas com um arranjo musical diferente a atirar mais para a música ligeira e para as baladas.

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