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Miniaturas contam toda a história do ciclo do trigo

Miniaturas contam toda a história do ciclo do trigo

Jacinto Ferreira, um artesão popular de Aramanha, é o autor da obra

Pequenas réplicas em madeira, ferro, cortiça e barro explicam o processo manual do trigo desde que é semeado até ser transformado em pão.

Edição de 21.02.2008 | Sociedade
Minucioso é o adjectivo que melhor assenta para descrever o trabalho que encontrámos em exposição no interior de uma antiga taberna na pacata aldeia de Aramanha, freguesia de Várzea, Santarém. Um espólio de cerca de uma centena de peças criteriosamente elaboradas que descrevem, por si só, toda a história do ciclo de vida do trigo, uma vez que constituem réplicas perfeitas das imagens verdadeiras a que se reportam. Todas elas foram feitas a pensar na sequência lógica e temporal do ciclo do trigo, desde que é semeado até se transformar em pão, com a particularidade deste trabalho ser retratado numa época em que a máquina ainda não era utilizada no processo. “Estão aqui 2500 a 3000 horas de trabalho”, avisa-nos, desde logo, o autor da singular exposição, única do género que se pensa existir no país. Um homem simples, que nunca tendo trabalhado na agricultura foi criado no meio rural. Falamos de Jacinto Ferreira, 67 anos, natural da freguesia da Várzea e que reside há 25 anos na localidade de Aramanha. Foi, desde os 14 anos, bate-chapas, primeiro numa pequena oficina para aprender o ofício e mais tarde, aos 20 anos, na fábrica da Opel na Azambuja, onde trabalhou durante quatro décadas até atingir a idade da reforma. Curiosamente, só descobriu que tinha habilidade para os trabalhos manuais depois de se ter reformado, há cerca de oito anos. E mais cinco passaram até que pegasse num pedaço de madeira para esculpir o primeiro de muitos objectos pelo que recuamos até ao dia 2 de Abril de 2005. Vendo-se com muito tempo livre, decidiu pegar num pedaço de madeira e fazer uma carroça para o filho, que em pequeno tinha uma predilecção por este brinquedo. “A minha mulher queria-lhe oferecer uma carroça mas disse-me que já não as encontrava à venda nas feiras e então eu, mesmo sem saber se conseguia ou não, disse-lhe que fazia eu a carroça”, contou a O MIRANTE. Jacinto Ferreira não gostou do resultado e chamou-lhe “carroça feia”. Decidiu então fazer uma segunda, “mais bonita e que representava os passeios dos fidalgos à cidade”. Levado pelo gosto fez, em seguida, um carro puxado por bois. “Ora se o carro tinha taipais tinha que carregar o trigo”, explicou com graça enquanto apontava para a miniatura repleta de trigo. Tomado pelo gosto, veio-lhe à ideia criar outros carros representativos de trabalhos agrícolas mas depois pensou que o melhor seria mesmo contar toda a história do trigo, desde que é semeado até virar pão, numa altura em que as máquinas ainda não eram utilizadas no processo. “Para mim é o animal, o homem e o veículo e nada mais interessa”, explicou.E ali está. Nas paredes laterais da velhinha taberna, em cima de duas prateleiras, assistimos ao desenrolar da história completa do ciclo do trigo, através de peças únicas e ricas em pormenores e que, conforme nos fez questão de explicar, “funcionam na perfeição, tal como as verdadeiras”. Os materiais utilizados para a confecção das réplicas foram os mais variados e incluem a madeira, ferro, cortiça, verga, barro, vime, ráfia e pano.
Miniaturas contam toda a história do ciclo do trigo

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