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Ministério Público pede condenação para agressores de estudante

Jovens de Vialonga tentaram roubar telemóvel e agrediram a vítima na Póvoa
Edição de 21.02.2008 | Sociedade
Os assaltos e as agressões no interior dos comboios na Linha do Norte continuam apesar da CP e das autoridades terem melhorado a vigilância. Os passageiros sentem-se inseguros.O Ministério Público pediu a condenação de dois jovens de Vialonga acusados de terem agredido um estudante de 18 anos a quem, alegadamente, pretendiam roubar um telemóvel durante uma viagem de comboio entre Alverca e a Póvoa de Santa Iria em Abril de 2007. Nas alegações finais realizadas no Tribunal de Vila Franca de Xira a procuradora considerou que ficou provado que os dois arguidos usaram a violência, “de certo modo gratuita”, para se apoderarem do telemóvel da vítima. O jovem foi agredido a soco na face e no tronco. O defensor dos jovens, com 17 e 18 anos, considerou que os arguidos estão mal acusados. O advogado defendeu que os rapazes deveriam estar acusados de ofensas à integridade física simples, crime com uma moldura penal mais leve, e pediu a absolvição dos arguidos que não têm outros processos pendentes.Na audiência, realizada a 12 de Fevereiro, o estudante de 18 anos contou que na noite de 30 de Abril de 2007, cerca das 22h00, foi agredido a soco pelos dois arguidos quando negou dar o telemóvel a um dos agressores. A agressão confirmada pelos arguidos e por uma testemunha aconteceu no interior da carruagem.Um dos rapazes trazia um bastão com mais de 30 cm, que não chegou a utilizar porque apareceu o revisor do comboio que pediu calma. “Se o revisor não tivesse aparecido, os estragos teriam sido maiores”, disse o jovem estudante. Quando o comboio parou na estação da Póvoa de Santa Iria, a vítima pediu ajuda a uma patrulha da PSP que mobilizou e identificou os dois arguidos. Os dois rapazes assumiram as agressões que justificaram com um desentendimento mas negaram a intenção de roubar a vítima. O acórdão com a decisão do colectivo de juízes será lido no dia 11 de Março. Os jovens aguardaram o julgamento em liberdade.Assaltos no interior dos comboios sucedem-seOs assaltos no interior de comboios são frequentes na linha do Norte entre Oriente e Vila Franca de Xira, apesar de as autoridades terem intensificado a vigilância com câmaras e reforço do patrulhamento policial. O MIRANTE ouviu vários utentes partilharem um sentimento de insegurança.“Ainda no sábado vinha à noite de Lisboa e entrou um grupo de jovens com armas brancas na mão. Comecei logo a tremer. O revisor passou, viu-os, mas nada fez. Felizmente que eu saí logo na paragem seguinte”, conta Esmeralda Soares, de Alverca.“Eu já fui assaltado por dois rapazes que me levaram o telemóvel e a carteira. Depois tiraram o dinheiro e o cartão de débito e atiraram a carteira com os documentos para um caixote do lixo na estação da Póvoa”, relata João Domingos. Apesar do medo, o operador de máquinas continua a fazer a ligação Póvoa-Lisboa, cinco dias por semana.A PSP está atenta a esta realidade e vai reforçar o patrulhamento dos comboios e das estações com pessoal fardado e à civil. As autoridades reconhecem que há um clima de insegurança, apesar de os números dos crimes praticados no interior dos comboios e nas estações serem “normais”. A 15 de Janeiro último, quatro arguidos acusados de participarem num assalto a um comboio na Póvoa de Santa Iria, com recurso a arma branca, foram condenados a penas de prisão, mas o colectivo de juízes do Tribunal de Vila Franca de Xira decidiu suspender a sua execução pelo mesmo período. Três dos arguidos foram condenados a três anos e um quarto foi condenado a três anos e meio por ser reincidente neste tipo de crime. Nenhum compareceu no tribunal para ouvir a decisão. Dois dos arguidos nunca responderam às notificações e foram julgados à revelia. Os quatro jovens residentes na zona sul do concelho de Vila Franca de Xira foram condenados, mas ficaram todos em liberdade.

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