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“A violência das touradas pode ser uma forma de arte”

Críticos de renome falaram sobre arte e política em Vila Franca de Xira
Edição de 28.02.2008 | Cultura e Lazer
Perante uma plateia de todas as idades, três dos mais importantes críticos de arte portugueses debateram a relação entre Arte e Política. Ao lado de Carlos Vidal, com extensa bibliografia sobre a relação entre arte e política, sentaram-se Sandra Vieira Jürgens, historiadora e crítica de arte, e Delfim Sardo, crítico de arte e ex-director do Centro de Exposições do CCB.Durante cerca de duas horas, trocaram ideias e opiniões sobre “Arte e Política: Perspectivas Contemporâneas”. Num ponto os teóricos concordam. Há uma relação inegável entre arte e política. Ao longo dos tempos a forma de encarar essa relação tem vindo a alterar-se. “Temos que estar dentro da instituição para modificá-la”, diz Sandra Vieira Jürgens. A historiadora afirma que a relação entre política e arte sempre tendeu a não ser reconhecida. “Sempre se valorizou tudo aquilo que era neutro”, ressalva, no entanto “hoje em dia há uma revisão da história da arte”. E disso mesmo são exemplo correntes como o Neo-Realismo.Também Delfim Sardo comentou a relação entre arte e política, mas numa perspectiva mais filosófica, própria da sua formação académica nessa área. O crítico de arte evocou Kant e afirmou que, ao contrário do que dita a sabedoria popular, “o que se discutem são os gostos”. Acrescentou mesmo que a expressão gostos não se discutem é uma afirmação particularmente autoritária. “Ao discutirmos gostos estamos a estabelecer comunidades humanas”. Para Delfim Sardo, a relação entre arte e política não está, portanto, no facto de uma representar a outra mas sim “num problema de partilha”, no facto de uma originar a outra.Para Carlos Vidal, a arte política é passível de ser definida. “Isto é dizer que há uma arte que não é política”, afirmou, contrariando muitas opiniões. Para o artista e crítico de arte, a arte política é perceber o político que existe na forma. “Há o artista político e o artista que meramente se relaciona com a política, por exemplo, assinando uma petição”, acrescentou. Entre o público estava Arquimedes da Silva Santos, médico e poeta neo-realista, que no final da conferência diz ter “aprendido muito” e lamentou apenas que não se tivesse falado mais da corrente em que se insere.“Não defendo as touradas por serem uma tradição, mas pela carga simbólica e mitológica que é interessante. A violência que lhe está associada é uma violência que temos em muitas formas de arte, como na tragédia grega”. Quem o diz é Carlos Vidal, o artista plástico e crítico de arte, residente no Montijo, um dos convidados do último debate no Museu do Neo-Realismo, que decorreu no sábado em Vila Franca de Xira. Nesse dia falou-se sobre arte e política. “A relação entre a arte e a política sempre me interessou e o neo-realismo levou isso ao extremo”, referiu Carlos Vidal no final da conferência. O artista plástico e crítico de arte considera que Vila Franca de Xira é a cidade certa para acolher o museu dedicado a este movimento artístico, “pelo seu passado histórico ligado aos escritores”. Carlos Vidal já conhecia o espaço e afirma saber de muita gente que está a contar com o museu para investigar determinados projectos, “sobre o Júlio Pomar e outros artistas”.

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