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Nova lei do tabaco não provocou corrida às farmácias da região

Nova lei do tabaco não provocou corrida às farmácias da região

Restrições ao fumo não parecem ter influenciado muita gente a largar o vício
Edição de 28.02.2008 | Sociedade
O actual presidente de Câmara Municipal de Tomar, Corvêlo de Sousa (PSD), está, desde há uns meses a tentar deixar de fumar. O autarca, que acendeu o primeiro cigarro ainda não tinha 20 anos, chegou a fumar dois maços e meio por dia, muito por culpa do stress relacionado com o trabalho. “Actualmente consegui reduzir e estou a fumar 5 a 7 cigarros por dia”, disse a O MIRANTE, no intervalo da última Assembleia Municipal de Tomar. E se anteriormente aproveitava o interregno para acender um cigarro, actualmente o recém-empossado presidente de câmara saca de uma pastilha de nicotina, que o ajuda a combater o vício. A tentativa para deixar de fumar, apesar de recente, é anterior à entrada em vigor da nova lei mas o autarca reconhece que a mesma dá um “empurrão” a quem quer acabar com o vício de uma vez por todas. “Na câmara não é permitido fumar e ponto final. Esta proibição também ajuda muito quem está a tentar deixar, como eu”, aponta. Segundo afirma, o objectivo é largar de vez até ao Verão aqueles que foram seus companheiros durante quatro décadas. Pastilhas, pensos e comprimidos são apenas alguns dos medicamentos que as farmácias dispõem para os fumadores que procuram um suplemento para deixar de fumar. Mas vencer o vício do tabaco é uma batalha dura para quem a trava. Que o diga o director técnico da Farmácia Correia Pinto, em Alcanena, que há dois anos organizou um programa de cessação tabágica mas sem sucesso para os aderentes. “Tínhamos 12 participantes e nenhum deles conseguiu chegar ao fim do programa”, disse João Correia Pinto a O MIRANTE, acrescentando que as pessoas que tentam largar o vício do tabaco têm que ter “uma vontade muito forte e posição firme, caso contrário fracassam”. Para o farmacêutico, a nova lei do tabaco veio apenas alterar os hábitos dos fumadores uma vez que os impede de fumar em certos locais pelo que não considera que a mesma tenha “efeitos significativos” nem tão pouco sente que exista uma maior procura por parte das pessoas desde o início do ano. Já na Farmácia São Nicolau, em Santarém, o início do ano levou mais gente a procurar o melhor método para deixar de fumar. “Pode ter a ver com a nova lei mas também ser uma daquelas decisões que as pessoas tomam no início de cada ano”, disse Filomena Canavarro, directora técnica dessa farmácia. “Actualmente já não existe tanta procura”, ressalva acrescentando que, pela experiência que tem, existem dois tipos de pessoas: aquelas que conseguem deixar de fumar e aquelas que passam por todos os métodos sem sucesso até que desistem de querer vencer o vício. Noutras farmácias contactadas as respostas foram semelhantes: não houve um acréscimo de clientes a pedirem ajuda para deixar de fumar. Talvez haja muita gente a fiar-se apenas na força de vontade.Como Miguel Relvas, deputado do PSD eleito por Santarém, que conseguiu deixar de fumar há dois anos. Não porque tenha tomado comprimidos, pastilhas ou mesmo recorrido a pensos de nicotina. “Tive um problema de saúde que pensava que era cardíaco mas que no final de contas não tinha nada a ver. De qualquer modo, desde esse episódio que deixei de fumar”, explica. Um susto que, de entre todos os métodos que existem, ainda deve ser o mais eficaz para quem pretende pôr os cigarros fora da sua vida.
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