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Vítima de violação queria desistir da queixa com medo da humilhação

Edição de 28.02.2008 | Sociedade
A empresária vítima de violação numa herdade de Samora Correia e assistente no processo que está a ser julgado no Tribunal de Benavente só contou “toda a verdade” às filhas e amigas sete anos depois. Foi no momento em que foram notificadas para prestar declarações em tribunal como testemunhas. Segundo a filha, a vítima escondeu que tinha sido violada e chegou a ponderar desistir da queixa para evitar ter de enfrentar o arguido e todo o processo de julgamento. Foram as filhas, o companheiro e amigos que a incentivaram a levar o caso até ao fim.“Eu disse-lhe para avançar. Estes crimes têm de ser denunciados e os seus autores condenados”, disse José Morais, antigo quadro da Polícia Judiciária aposentado e amigo da família da vítima.A empresária Patrícia Barbosa referiu que com o drama de Maria, toda a família e amigos foram lesados e por isso todos a encorajaram a enfrentar o julgamento. A testemunha afirmou que a amiga foi incompreendida e “sofreu muito” nestes sete anos. “Nunca mais foi a mesma mulher. Tem medo de sair à noite, evita estar em casa sozinha e não consegue ouvir falar de crimes”, referiu. A vítima nunca mais conduziu o jipe onde foi abusada.O actual companheiro da vítima descreveu que sentiu grandes dificuldades de aproximação no início da relação, apesar de já ser amigo da mulher há vários anos. O empresário disse que havia uma grande revolta e reacções estranhas por parte da vítima que recebe acompanhamento médico desde a altura dos factos. “ Um dia quando passámos perto de Pancas (local da alegada violação) começou a chorar”, recordou. “O que este senhor fez não se faz a ninguém. Ela não merecia, é uma grande mulher, boa mãe, boa companheira, trabalhadora e lutadora”, acrescentou emocionado.O médico que assistiu a mulher após a violação revelou que a paciente estava em pânico quando solicitou a realização de exames médicos para certificar que não tinha contraído nenhuma doença infecto contagiosa. O clínico disse ao tribunal “que uma violação não se apaga da memória de ninguém e deixa marcas para toda a vida”

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