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Neste país cada um faz o que quer

A lei é de usucapião, não é de usurpação. Um senhor começa a pastorear cabras numa terra que não é sua. Está mal. Está a trespassar propriedade alheia. A violação da propriedade alheia torna-se um hábito. Passa de excepção a regra. Como não é expulso instala-se. Está mal mas acontece.Os anos vão passando. Dez, vinte, trinta. Um dia o terreno é vendido. O novo dono vê um estranho a pastorear cabras na sua propriedade e quer correr com ele. Não pode. É a tal lei do usucapião. Vá lá que é um campo. Podia ser uma casa. O novo proprietário teria que passar a dormir com o pastor e as ovelhas na sala. Esta é a história que é contada na primeira página de O MIRANTE. Passa-se em Vialonga mas pode passar-se noutro lado qualquer. O pastor usou sem pagar um terreno que não era seu. Agora quer uma recompensa pelo abuso que cometeu. Nada mais, nada menos que 150 mil euros. Como é bom viver no campo. Esta história é tão bucólica que até faz chorar. Havia quem defendesse, a seguir ao 25 de Abril, o princípio da terra a quem a trabalha. Como aqui quem trabalhou a terra foram as cabras porque foram tasquinhando as ervas impedindo o seu crescimento, talvez seja melhor dar o dinheiro aos animais. Há um conto do escritor cabo-verdiano Germano de Almeida em que uma cabra come livros. Quem sabe se estas não gostam de notas de euro.Rui Ricardo

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