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Um louvor e uma grande barraca

Edição de 23.04.2008 | Entrevista
Um dia José Niza mandou, para o hospital, um soldado que sofria de esquizofrenia. Passados dias o doente regressou ao quartel porque em Luanda discordavam do diagnóstico. O psiquiatra meteu-se em brios e como tinha levado dois compêndios de psiquiatria consigo elaborou um relatório completíssimo. Depois, aproveitando uma ida à capital levou consigo o relatório e o doente, que ficou internado.O Brigadeiro que estava a comandar o hospital gostou tanto do relatório médico que convidou José Niza para chefe do serviço de psiquiatria. A transferência não foi concretizada porque o Brigadeiro acabou a sua comissão mas José Niza teve a grata surpresa de receber um louvor que lhe seria entregue no final da comissão, ainda em Angola.No glorioso dia, pouco habituado ao protocolo militar, descobriu com horror que tinha que comandar a secção dos galardoados na passadeira vermelha, perante uma formatura de mais de três mil homens. Lá envergou a farda de gala amarelecida por ter estado dois anos no fundo da mala e perfilou-se com os outros. “Era-mos onze. Todos recebiam louvores por acções de coragem em combate. Felizmente o microfone avariou-se quando chegou a minha vez e ninguém ficou a saber que a minha distinção era por um acto médico. Tinha ajudado a abater uma esquizofernia com um relatório de trinta páginas”, conta a sorrir. Mas o pior estava para acontecer. Quando todos os louvores foram entregues, José Niza ordenou sonoramente um “direita volver” e marchou o mais garbosamente possível pela passadeira. O bruá-bruá que então se ouviu, obrigou-o a voltar a cabeça. Foi então que descobriu que estava a marchar para um lado e os restantes elementos do grupo, para o outro.

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