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Quando a restauração inflaciona os preços

Edição de 23.04.2008 | Especial Festa do Vinho
Apesar de todo o esforço de promoção muitas pessoas optam pelo vinho de marcas brancas…Quando uma pessoa vai a um restaurante e pede uma garrafa de vinho para acompanhar a refeição – ou pede o vinho da casa ou arrisca-se a pagar 20 ou 30 euros por uma garrafa. A punição maior é feita pela restauração. Temos que admitir com seriedade que há restaurantes que chegam a ganhar 300 e 400 por cento numa garrafa de vinho. E não é assim que se valoriza o consumo. O preço de um bem ou de um serviço está associado à escassez. É compreensível que exista um ou outro vinho especial que atinja edições limitadas. São estas situações que levam a que o vinho a granel acabe depois por ser privilegiado. E os vinhos certificados tenham grande ónus. Há que assumir com frontalidade que o restaurante não pode cobrar tanto por uma garrafa de vinho. Defende maior consciencialização?Até seria defensor de alguma regulamentação. Não é fácil, mas há entidades do sector. Tem que partir de um esforço integrado das entidades do sector. Assim o mercado só atinge uma elite de consumidores. Não quer dizer que este vinho não se venda, a grande verdade é que só uma pequena parte dos portugueses têm possibilidade de pagar 25 euros por uma garrafa de vinho. Isso acontece com vinhos do Cartaxo?Acontece com vinhos do Cartaxo e do Ribatejo, como acontece com vinhos do Douro e Alentejo. Porque a qualidade aumentou. A própria garrafa tem uma estética diferente. Tem sido feito um grande trabalho por parte dos enólogos em dar-lhes aqueles aromas a frutos e até a chocolate. A ideia do vinho a copo irá ajudar a resolver a questão…Penso que sim, mas não podemos cair no erro de vender um copo de vinho de qualidade a três ou quatro euros com se vende hoje num bar um copo de whisky. Sou adepto de que mais vale incentivar o consumo com preços mais baixo. Há que apostar numa estratégia de massificação.As autoridades concentram-se muito na zona da feira. É boa política?Nos últimos anos tem havido uma perspectiva muito sensata do controlo e da fiscalização sobre estas matérias. As autoridades têm que cumprir o seu papel que é o de procurar garantir a segurança da população no seu todo. Os casos excepcionais de pessoas que abusam têm que ter o tratamento devido por parte das entidades competentes. No ano passado a PSP colocou um controlador do teor alcoólico. Isso é positivo para que o condutor possa passar as chaves do carro a um amigo ou à mulher. A taxa de alcoolemia que foi imposta está ajustada? Foi uma das vozes críticas quando o Governo quis apertar o cerco.Considero que a taxa é satisfatória e não deve ser minimizada. Se estamos num país que quer valorizar o vinho português não podemos simultaneamente estar a penalizar o consumo. Também teríamos que penalizar outro tipo de excessos.Para os próximos anos mantém-se o figurino da festa?O nosso concelho está diferente. Acredito que aquele campo da feira tem que ser reaorganizado. No ano passado fomos parceiros da ASAE para melhorar a forma como era confeccionada a gastronomia. É natural que exista uma evolução do figurino. Mas vamos manter o bairrismo e a festa do vinho vai continuar a ser como sempre foi com a pujança do concelho no seu todo. Lembro que em outros tempos a feira de Novembro chegou a realizar-se no centro da cidade. Acredito que sofrerá mudança quer em termos de localização, quer em termos de certame. Queremos mais qualidade respeitando a tradição, mas não vamos ser velhos do Restelo. Não acredito que alguma vez algum presidente de câmara acabe com estes eventos…

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