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Rótulos para invisuais

Rótulos para invisuais

Uma forma de marketing para além da utilidade

Uma forma de dizer aos invisuais que alguém pensa neles e de adquirir prestígio a nível do mercado.

Edição de 23.04.2008 | Especial Festa do Vinho
A Sociedade Agrícola Pinhal da Torre em Alpiarça é das primeiras empresas em Portugal a disponibilizar rótulos das garrafas de vinho que produz, em Braille. No contra-rótulo dos produtos com a marca Quinta do Alqueve, uma das mais conhecidas da empresa, os cegos podem, sem ter que pedir ajuda, identificar a marca, o ano do vinho e se é tinto ou branco. As garrafas com indicações para cegos começaram a sair para o mercado em 2002 e no entender de Francisco Cunha, um dos responsáveis da sociedade, esta é uma aposta ganha. Não tanto por fazer subir as vendas mas por uma questão de prestígio. “Achámos que o nosso vinho tinha uma certa qualidade e considerámos que devíamos ter uma pequena atenção para com aqueles que não podem ver os rótulos”, salienta Francisco Cunha, acrescentando que se entendeu também que esta ideia podia representar uma mais valia para a grande aposta da Pinhal da Torre que é a exportação. Actualmente a empresa tem vinhos em 16 países, como Estados Unidos, Brasil, Suiça, Finlândia, Polónia, Espanha, Inglaterra, entre outros. Francisco Cunha garante que há empresas que contactaram a Pinhal da Torre para comercializarem os seus vinhos por saberem da existência dos rótulos em Braille.Francisco Cunha admite que por trás do lançamento destes produtos esteve também subjacente o marketing. “É óbvio que desta forma os nossos vinhos passam a ter mais notoriedade sobretudo nos mercados externos para onde vendemos a maior parte da produção”, reforça. Porque em termos de rentabilidade, assegura, as garrafas que se vendem a mais não compensam os custos com a criação dos rótulos. “Se houver pelo menos um invisual que se sinta bem ao saber que alguém se lembrou de si, já é suficientemente gratificante”, conclui. O enólogo Mário Louro costuma fazer cursos de formação de provas de vinhos para cegos e considera a existência de marcas também dirigidas a estes deficientes uma forma de fazer chegar o vinho a todas a pessoas. O profissional explica que um cego utiliza melhor os sentidos quando está a provar ou a beber um vinho, usando por exemplo a audição para distinguir se o que está a verter no copo é um néctar tinto (que tem um som que designa por azeite, mais espesso) ou branco (que é mais aguado). Os cegos usam também o tacto para por exemplo saberem se o copo está cheio ou vazio, metendo o dedo dentro do copo. A sociedade Pinhal da Torre começou a engarrafar em 1999 e actualmente vende cerca de cem mil garrafas por ano. O objectivo daqui por três anos é estar a comercializar mais de 400 mil unidades. Na fabricação utilizam-se as técnicas tradicionais aliadas à mais recente tecnologia. Por exemplo as vindimas são feitas manualmente seleccionando-se os melhores cachos e no fabrico dos vinhos topo de gama é utilizada a pisa a pé. A Pinhal da Torre é propriedade da família Saturnino Cunha, reunindo a experiência de gerações dedicadas à vinha e à produção de vinho. Trabalha preferencialmente com castas portuguesas, como a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Trincadeira, a Castelão, a Arinto e a Fernão Pires), combinando-as com castas estrangeiras como a Syrah, a Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc e a Merlot. As vinhas estão em duas quintas, a do Alqueve, com uma ocupação de 36 hectares, e de São João, com 22 hectares.
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