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Uma amante de literatura que tira férias para escrever

Uma amante de literatura que tira férias para escrever

Concurso promovido pelo município de Azambuja revela talentos escondidos

Tira férias para escrever. Às vezes longe do marido. Tem 35 anos e é funcionária de uma empresa de transportes. Maria João Veríssimo ganhou o prémio literário do município de Azambuja na categoria de conto.

Edição de 30.04.2008 | Cultura e Lazer
Escondida no canto da sala Maria João Veríssimo observa a entrega de prémios do primeiro concurso literário do concelho de Azambuja. O ar tímido esconde uma personalidade forte. Maria João tem 35 anos e conquistou o primeiro lugar no género de conto. A entrega dos prémio, organizada pelo departamento de intervenção sócio-cultural da Câmara Municipal de Azambuja, decorreu quarta-feira, 23 de Abril, no auditório da biblioteca municipal.A paixão começou muito cedo. Aos oito anos escrevia espontaneamente. As professoras começaram a ter contacto com os trabalhos e incentivaram-na a participar em concursos literários promovidos pelas escolas. À medida que foi vencendo aumentava a vontade de escrever.Maria João é funcionária numa empresa de transportes em Lisboa. Diz que se pudesse vivia apenas da escrita. Ainda tem esse sonho embora tenha consciên-cia que será muito difícil alcançá-lo. Porque é complicado viver da escrita em Portugal. A jovem natural de Azambuja já escreveu um romance que não está editado e dois livros de poesia. Actualmente, está a escrever um romance para um concurso literário que vai decorrer em Junho. “Ando a trabalhar nele há cerca de dois anos e que ainda só escrevia 80 páginas. Tenho trabalhar bem este mês”, afirma.Maria João tem uma vida igual à de um escritor. Considera o trabalho em Lisboa um hobbie. Não está tanto tempo com os amigos como gostaria. Mas é por uma boa causa. A paixão e a necessidade de escrever falam mais alto. Aproveita todos os momentos para escrever. À noite, ao fim-de-semana. Sempre a ouvir música. Maria João tira férias com o objectivo de escrever. Às vezes longe do marido.“Vou sempre para um local onde sei que posso estar sozinha. Levanto-me, tomo o pequeno-almoço, compro e leio o jornal e escrevo até às três da tarde. Faço uma pausa e volto a escrever. Ao contrário do que possa parecer isto não é nenhuma tortura. Adoro estar no meu mundo a fantasiar com as personagens”, explica.A escritora conta que basta observar as pessoas na rua, um simples gesto ou uma conversa ouvida no comboio para a inspiração actuar. “O meu primeiro romance começou depois de olhar uma pessoa que conheci no estrangeiro. O seu olhar pareceu-me tão triste que desenvolvi uma história à volta dessa pessoa”.Chega a ler cinco livros simultaneamente. Tem na cabeceira um texto de Rosa Lobato Faria de quem ficou fã. “É extraordinária. Pena que ainda não a tenham descoberto verdadeiramente”, afirma. A jovem escreveu sob o pseudónimo António Aglaia. E explica porquê. “António em homenagem ao meu avô e Aglaia significa musa. Achei que um pseudónimo deveria ter algo relacionado com o irreal”.
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