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O fundador do museu que chegou a reunir as peças em casa

Edição de 30.04.2008 | Entrevista
Tem hoje um museu com o seu nome.Estão lá muitas peças que foram recolhidas por mim. Os utensílios dos trabalhadores rurais. Fui recolhendo. Já a pensar no museu para Azambuja. Como conseguiu? As pessoas são um pouco reticentes em entregar as coisas.Naquele tempo deitavam-nas fora. Na altura até escrevi sobre isso. As pessoas estavam a deitar coisas para o lixo que davam um museu extraordinário. Foi por causa dessa minha teimosia que a câmara se resolveu a fazer o museu. O primeiro museu começou no quartel antigo dos bombeiros. E muita coisa desapareceu entretanto. Como tinha a ideia de que eram coisas valiosas. Podia achá-las corriqueiras?Para mim não eram coisas corriqueiras. Eram coisas históricas que tinham um valor muito grande para a agricultura de Azambuja. Deixava-me triste ver que as pessoas as deitavam para o lixo e queimavam. Quando pensei que a Azambuja haveria de ter um museu comecei a recolher peças. Cheguei a ter peças na minha casa. O museu começou praticamente na minha casa.Tem alguma peça que lhe tenha ficado na memória?Tenho muito respeito por todas as peças. Fizeram parte da minha vida. Foram as peças com que trabalhei e ganhei o pão quando trabalhava no campo. Tinha uma grande paixão por tudo aquilo. Os alqueires, as medidas de vinho, as forquilhas, as cargadeiras, os labregos, as charruas, os charruecos… Tanta coisa que fez parte da minha juventude. Escrever também fez parte da sua vida…Trazia sempre um livrinho na algibeira da camisa. E depois a partir de qualquer coisa que se passava fazia um apontamento. Com mais calma e paciência, já em casa, compunha a história. Quando faleceu a senhora da casa Vidal assisti à missa e fui escrevendo uma dedicatória. (Risos) “Morreu uma pomba velhinha/ morreu no ninho coitada/ morreu já não é nada/ foi para o céu coitadinha”.Acredita na inspiração? O que eu tinha era inspiração. Escrevi 14 livros sem saber escrever. Alguns de poesia. Quando vinha aquela veia tanto podia escrever versos como prosa.Mas o senhor sabe escrever.Escrevo sem saber escrever, aí é que está. Depois os meus escritos tinham que ser todos emendados por pessoas que sabiam escrever. O Carlos Batalha, a professora Isabel… Eles é que corrigiam os erros.Alguma vez pensou editar um livro?Foi uma coisa espontânea. Escrevia os livros e depois pedia às Cercis e a outras instituições assim que tinham possibilidade para editar os livros. E dizia-lhes que ficassem com os lucros das edições. A intenção era divulgar a cultura. Não me interessava o dinheiro.

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