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O investigador etnográfico que aprendeu a dançar com os anciãos

Edição de 30.04.2008 | Entrevista
Quando é que se ligou à etnografia?Comecei a ir ao Rancho Folclórico Ceifeiras e Campinos de Azambuja em 1966. O ensaiador técnico já estava um pouco caduco. Lá me afoitaram e eu fui para a frente do grupo. Fiz uma pesquisa e foi com essa mudança que o grupo singrou. Dei uma grande alma ao grupo que estava muito atrofiado com coisas que não tinham nada que ver com o folclore e etnografia. E como é que fez a pesquisa?Fui falar com pessoas antigas. Tive a sorte de encontrar uns anciãos com a memória boa. Ensinaram-me muita coisa. Eram músicas que não estavam registadas. Coisas que os mais velhos tocavam antigamente nos velhos harmónios de uma só carreira. Comprei um gravador de propósito. Eles tocavam, eu gravava e levava depois para os ensaios. Os acordeonistas ouviam a cassete, decoravam as músicas e era a maneira de ter as pessoas a dançar. Cheguei a pôr velhotes a bailar para ver como eles faziam para depois ensinar os rapazes e raparigas… E como vê os grupos de folclore hoje em dia?Os grupos estão muito estilizados. Estão quase todos iguais. Seria necessário que fossem feitas recolhas para que os grupos se apresentassem tal e qual. Mas isso é muito difícil. Nem toda a gente está disposta a fazer recolhas. E nem toda a gente tem jeito. É preciso ter uma certa visão. O que cá fiz em prol do folclore foi fruto da intuição. Das memórias que tinha de ver os meus pais a bailar, das pessoas antigas nos bailaricos, foi assim que me aventurei com o grupo de folclore.Hoje é um bom grupo. Cada qual com o seu traje. Quando chegou não estava assim… Quando cheguei ao grupo as raparigas usavam todas saia encarnada e avental azul. E os rapazes vestidos à campino. O que eu me ralei para mudar isso… Porque havia tanta resistência em respeitar a tradição?Tudo começou por causa de uma marcha. A marcha dos fundadores, que deu origem ao rancho, era baseada nas marchas populares que são muito diferentes do rancho folclórico. De maneira que para tirar essa ideia foi um trabalho sério.

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