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Histórias de pessoas que não resistem à palavra “grátis”

Histórias de pessoas que não resistem à palavra “grátis”

Há quem passe horas a navegar em sites comerciais, à procura de brindes

É um passatempo como outro qualquer. Existem pessoas que se dedicam a coleccionar tralhas grátis. Apenas por isso mesmo. Porque são grátis.

Edição de 30.04.2008 | Sociedade
Ainda hoje tem o boneco que ganhou com apenas 4 anos. Quando a mãe lhe enviou o desenho para um programa de televisão. Aos 20 anos, Mafalda Sousa, natural de Tomar, afirma que herdou o “bichinho” dos concursos da sua tia, a mesma que concorria a tudo o que lhe aparecia pela frente. Mas Mafalda não se fica por aí. “Se é de borla, eu quero”, afirma. Por causa disso passa horas a navegar em sites comerciais, à procura de brindes grátis. “Quando não há nenhuma promoção, mando na mesma um e-mail a solicitar uma amostra e às vezes dá resultado”, acentua. Para a jovem, actualmente à procura de emprego, este passatempo permite-lhe, inclusive, poupar algum dinheiro. “Recebo muitas amostras de comida, champô, cremes, perfumes e até cosméticos. Eu não recebo e guardo, como faz muita gente. Gasto logo!”, explica. Outro hábito que tem é o de visitar as farmácias e perfumarias da cidade à procura de amostras em cima dos balcões. Mafalda já sabe de cor quais são as mais pródigas em ofertas. “Há uma farmácia que até pacotes de leite em pó para bebé oferece e as pessoas podem tirar à descrição. Vou lá sempre buscar para o meu sobrinho”, diz sem pudor.“Há pessoas que são extremamente atraídas pela palavra grátis ao invés de outras, que se mantêm imperturbáveis na presença da mesma”, explica Manuela Quintanilha, psicóloga clínica e de aconselhamento, com clínica aberta no Entroncamento. “O que marca a diferença é a personalidade de cada uma dessas pessoas. Aquelas que são mais atraídas pela palavra grátis têm um perfil mais sugestionável, um sistema de crenças mais evidente e são mais optimistas, quando comparadas com as pessoas que menos reagem ao grátis”, remata a psicóloga que é também comentadora às quartas-feiras no programa da TVI, as “Tardes da Júlia”.Andar de carrinhos de choque com a modelo Daniela CicarelliRicardo Machado, 21 anos, estudante universitário, também não resiste à palavra grátis. Para ganhar um prémio já chegou a andar de pijama na rua. Natural da Golegã, o jovem explica que o seu interesse por concursos remonta a 2004, quando aderiu à ADSL (banda larga). Pouco tempo passou até que fosse um dos vencedores de um passatempo, ao qual concorreu pela Internet. O prémio foi um bilhete para o festival Rock in Rio. Depois desse seguiram-se outros e, na sua lista de coisas ganhas, contam-se uma viagem de helicóptero, um Mp3 Creative (5gb), 2 ipods, vários telemóveis, um Nintendo DS e uma máquina fotográfica HP. O jovem diz que para se conseguir ganhar alguma coisa grátis é necessário mais que uma questão de sorte. Para o jovem, o segredo passa por “perder cerca de 5 minutos diários” a pesquisar em sites específicos de conteúdo com incidência em passatempos. E dá o exemplo do blog “Tralhas Grátis” (disponível em http://tralhasgratis.blogs.sapo.pt) um site que divulga vários passatempos nos quais participa com alguma frequência.Devido a este passatempo, Ricardo Machado já passou por experiências únicas e há uma que não esquece. Aquela que viveu no festival SAPO Surf Bits, na Ericeira, e onde, para ganhar um prémio, basicamente se limitou a andar de “carrinhos de choque” durante todo o festival com o seu amigo Ricardo, da Chamusca, e com a conhecida modelo brasileira Daniela Cicarelli. “O carteiro também se deve interrogar com tanta encomenda”, conclui com humor.
Histórias de pessoas que não resistem à palavra “grátis”

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